Política

Lula reconhece que a esquerda virou ‘sistema’ e critica gestão do neoliberalismo

Em evento em Barcelona, Lula reconheceu que a esquerda se tornou o sistema ao administrar o neoliberalismo e abandonar seus programas originais.

reconhece que a virou ‘sistema‘ e critica gestão do neoliberalismo

Durante discurso na Global Progressive Mobilisation, encontro de esquerda realizado na Feira de , na Espanha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez uma avaliação contundente sobre o papel desempenhado pelos governos progressistas ao redor do mundo. O petista reconheceu que a direita assumiu com êxito o discurso antissistema, enquanto a esquerda ficou presa à administração de políticas que ele próprio classificou como parte do neoliberalismo.

Esquerda como gestora do neoliberalismo

Na fala de sábado, 18, Lula foi direto ao afirmar que os partidos progressistas se limitaram a vencer sem, de fato, colocar em prática as bandeiras que os elegeram. Segundo o presidente, houve uma acomodação por parte desses governos, que escolheram a austeridade e a governabilidade em detrimento de políticas públicas transformadoras.

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“Temos sido os gerentes da mazela do neoliberalismo“, declarou o presidente brasileiro. “Nós nos tornamos o sistema. Por isso, não surpreende que, agora, o outro lado se apresente como antissistema.”

Direita como canal das frustrações populares

O presidente avaliou que a direita soube capitalizar o “mau estado das promessas não cumpridas do neoliberalismo“. Para Lula, os movimentos conservadores canalizaram com eficiência a insatisfação da população — um espaço que ficou vazio justamente porque governos progressistas abandonaram seus compromissos programáticos.

Na visão do petista, a maioria das pessoas não se identifica necessariamente como “progressista”, mas concorda com pautas que, em tese, deveriam estar associadas à esquerda.

“Ela quer comer bem, morar bem, escola de qualidade, hospital de qualidade, uma política climática séria e responsável”, afirmou Lula. “Uma política de muito dura, ela quer um mundo limpo e saudável, um trabalho digno, com jornada de trabalho equilibrada, um salário que permita uma vida confortável.”

Coerência e implementação de programas

Diante desse cenário, Lula defendeu que os partidos de esquerda precisam recuperar a coerência e efetivamente implementar os programas com os quais são eleitos. Ele sustentou que a tarefa do campo progressista é “apontar o dedo para os verdadeiros culpados” pelas frustrações da população.

Conforme o presidente brasileiro, esses culpados seriam os “bilionários que sustentam a maior parte da riqueza mundial”, e não a população LGBT ou os imigrantes.

Uma luta que precisa ser global

Lula também ampliou o escopo de sua crítica para o cenário internacional. Ele argumentou que o esforço progressista não pode se restringir ao âmbito nacional.

“Essa luta precisa ser global, de nada adianta manter a casa em ordem em um mundo em desordem”, disse o presidente. “Os senhores da guerra jogam bombas em mulheres e crianças, gastam em armas bilhões de dólares que poderiam ser usados para acabar com a fome, resolver o problema energético, o problema da saúde.”

O evento, denominado 1ª Reunião da Mobilização Progressista Global, ocorreu na Feira de Barcelona, na Catalunha, Espanha, no dia 18 de abril de 2026.


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