Em cerimônia no Planalto para anunciar R$ 10 bilhões em habitação, presidente adotou tom de palanque e pediu cobrança dura dos próprios apoiadores
Um investimento de R$ 10 bilhões, com recursos do Fundo de Desenvolvimento Social, foi anunciado pelo governo federal nesta sexta-feira, 12, durante evento no Palácio do Planalto. A meta é erguer 85 mil unidades habitacionais pelo programa Minha Casa, Minha Vida. Foi nesse contexto que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez uma declaração inflamada dirigida à própria base de apoiadores.
Discurso com tom de palanque
Diante dos beneficiários e participantes da cerimônia de seleção de propostas do programa habitacional, Lula convocou a população a cobrar o governo com rigor. O presidente não mediu palavras:
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“Se a gente não quiser cumprir esse programa, vocês têm que dar cacete na gente para a gente aprender a cumprir cada palavra que a gente prometeu”, declarou.
O petista também criticou o que considera uma prática recorrente do poder público: só voltar os olhos para as camadas mais pobres quando se aproximam as eleições.
Como serão distribuídas as moradias
As 85 mil casas previstas no pacote anunciado em Brasília serão divididas em duas modalidades:
- Modalidade Rural: 50 mil casas;
- Modalidade Entidades: 35 mil casas.
Críticas à concentração de renda
Além de defender a ampliação do acesso à moradia e ao crédito para famílias de baixa renda, Lula direcionou críticas à concentração de recursos no país. Na avaliação do presidente, a falta de circulação de dinheiro entre as camadas mais pobres alimenta a manutenção da miséria e da desigualdade social.
A cerimônia no Planalto serviu, assim, como palco para que o mandatário reforçasse o compromisso com políticas sociais e, ao mesmo tempo, adotasse um discurso de vigilância popular sobre a própria gestão.