Política

Lula inaugura túnel sem água e canteiro de obras em corrida contra a lei eleitoral

Lula inaugura túnel sem água e canteiro de obras de ponte prometida há 20 anos em corrida contra prazo da lei eleitoral

Na pressa de entregar resultados antes do prazo eleitoral, presidente entrega obra seca e lança pedra fundamental de ponte prometida há 20 anos

Existe algo mais revelador sobre um governo do que aquilo que ele escolhe inaugurar — e quando escolhe inaugurar.

A cena é quase cinematográfica. O presidente Luiz Inácio da Silva viaja ao Rio Grande do Norte para entregar ao povo nordestino o Túnel Major Sales, parte do megaprojeto de transposição do rio São Francisco. A ideia era grandiosa: água jorrando pela estrutura, o presidente tomando um banho simbólico, a imagem perfeita para o noticiário.

Receba no WhatsApp as principais notícias do dia em primeira mão

Entre no grupo

Mas a água não chegou.

O túnel foi inaugurado completamente seco. Um canal de transposição sem uma gota d’água sequer. O próprio Lula admitiu a frustração, atribuiu o fiasco a um “erro de cálculo” da empresa responsável e pediu que a população fosse até o local à meia-noite para ver a água chegar — “rasinha”, segundo suas palavras.

A governadora Fátima Bezerra, obediente, gravou vídeos no dia seguinte com os pés na água, ao som de sanfona e “Asa Branca”. O Palácio do Planalto garantiu que não houve falha, que o túnel estava pronto e que era “apenas uma questão de tempo” para a água correr.

Apenas uma questão de tempo. Curiosamente, tempo é exatamente o que faltou para o governo fazer a inauguração direito.

E é aí que a história complica.

A lei eleitoral proíbe inaugurações oficiais nos três meses que antecedem as eleições. Esse é o motivo — e o único motivo — pelo qual Lula percorreu sete estados em apenas duas semanas, participando de 19 eventos para lançar projetos de saúde, educação e estradas. Não é zelo administrativo. É calendário eleitoral.

Quando a agenda de governo se subordina ao relógio da eleição, o resultado é previsível: inaugura-se o que der, como der, no estado em que estiver. Mesmo que o túnel esteja seco. Mesmo que a ponte não exista.

Ah, sim. A ponte.

Na última quarta-feira, Lula foi à Bahia inaugurar — segure-se — um canteiro de obras. A ponte que pretende ligar Salvador à Ilha de Itaparica, orçada em R$ 11,6 bilhões, ganhou uma cerimônia solene antes mesmo de ter uma viga erguida.

“Finalmente, saiu a Ponte Itaparica”, celebrou o presidente.

Saiu para onde, exatamente? O de Salvador, ACM Neto, fez a pergunta que qualquer cidadão minimamente atento faria: essa ponte é prometida há 20 anos. Pelo PT, diga-se. Inaugurar o canteiro de obras é inaugurar uma promessa — de novo.

Agora compare.

Quando adversários políticos faziam inaugurações apressadas ou simbólicas, o PT era o primeiro a denunciar o que chamava de “marketing eleitoral com dinheiro ”. A crítica era precisa e legítima. O problema é que ela só valia para o outro lado.

A pergunta que ninguém faz é simples: o que exatamente foi entregue ao cidadão nessa maratona de 19 eventos em 14 dias? Obras concluídas, funcionando, mudando a vida das pessoas? Ou cerimônias de inauguração que existem mais para o palanque do que para o povo?

Um túnel seco é a metáfora perfeita de um governo que confunde anúncio com entrega. Inaugurar um canteiro de obras é a confissão involuntária de que, depois de dois anos e meio de mandato, a grande realização é dizer que vai começar.

A é uma obra fundamental para o Nordeste. A ponte Salvador-Itaparica pode transformar a mobilidade na região. Ninguém sério questiona a importância desses projetos. O que se questiona é transformar obras inacabadas em palanque, forçar entregas cosméticas para cumprir prazo eleitoral e tratar o cidadão como plateia de uma encenação.

O poder público tem obrigação de entregar resultados. Não inaugurações. Não cerimônias. Não vídeos com sanfona.

Quando um presidente precisa pedir ao povo que vá até o canal à meia-noite para ver se a água chegou, algo de muito errado aconteceu com as prioridades do governo. A água pode até ter chegado no dia seguinte. Mas a ficou pelo caminho — seca como o túnel que foi inaugurado sem ela.

Lula inaugura túnel sem água e canteiro de obras em corrida contra a lei eleitoral


Publicidade
Debate editorial

1 comentário

  1. Lula é muito esperto… Inaugura obras sem conclusão, para que o povo Nordestino pense que ele fez alguma coisa… Nenhuma mídia vai mostrar a verdade… Vão só comentar que ele inaugurou e povo que só depende dessas mídias lixos não vão saber a verdade… Com isso e o apoio dos governantes, e das mídias vai continuar dominando o Nordeste.

Participe da conversa

Seu e-mail não será publicado. Campos obrigatórios estão marcados.