Política

Lula gasta mais que o dobro de Bolsonaro em propaganda no primeiro semestre de ano eleitoral

Governo Lula gastou R$ 520 milhões em propaganda no primeiro semestre de 2026, mais que o dobro dos R$ 213 milhões de Bolsonaro em 2022.…

Com R$ 520 milhões em publicidade oficial, governo petista transforma a Secom em máquina de campanha enquanto o discurso prega austeridade

Há um tipo de contradição que não precisa de explicação. Basta colocar os números lado a lado e deixar que falem sozinhos.

O governo Lula liberou 520 milhões de reais para campanhas publicitárias da Secretaria de Comunicação Social (Secom), chefiada por Sidônio Palmeira, no primeiro semestre de 2026. No mesmo período de 2022 — também ano eleitoral —, o governo Bolsonaro empenhou 213,5 milhões de reais.

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Mais que o dobro.

E é aí que a história complica.

Em 2022, boa parte da e da oposição trataram os gastos de Bolsonaro com propaganda como escândalo. Falou-se em , em abuso de poder, em compra de opinião com dinheiro do . Os mesmos que denunciavam agora administram um orçamento publicitário 144% maior.

A pergunta que ninguém faz é simples: se gastar 213 milhões era absurdo, gastar 520 milhões é o quê?

A máquina de campanha que se disfarça de

A campanha mais cara do governo — com custo estimado de 150 milhões de reais — tem como slogan “conectando entregas e futuro”. É classificada como campanha de “posicionamento”. Em bom português: propaganda para vender a imagem do governo em ano de eleição.

Mas há um detalhe.

O governo empenhou 80 milhões de reais para divulgar o fim da escala 6×1 — uma proposta que ainda está em tramitação no Congresso. Não é lei. Não foi aprovada. Não é realidade. É promessa. E já custa 80 milhões ao contribuinte em peças publicitárias.

Outros 45 milhões foram destinados a promover a nova edição do Desenrola. O padrão é claro: cada ação com apelo popular vira campanha milionária. Quem paga é o cidadão. Quem lucra é o candidato à reeleição.

Os números que o governo não consegue explicar

A situação piora quando se olha os dados levantados pelo PL no sistema oficial do Siga Brasil. Segundo os números, os gastos totais com publicidade institucional, utilidade pública e patrocínios alcançaram 785 milhões de reais até 18 de junho. O teto legal para o período seria de 618 milhões.

Um estouro de 167,6 milhões de reais.

Nos dados específicos de publicidade institucional da Secom, o gasto chegou a 178 milhões de reais até 15 de junho, contra um limite de 135,7 milhões. São 42 milhões acima do permitido.

O PL protocolou representação no Tribunal Superior Eleitoral pedindo a suspensão imediata de todas as campanhas publicitárias do governo e a apresentação detalhada de todos os empenhos realizados em 2026.

A nota da Secom e a arte do contorcionismo verbal

Confrontada, a Secom respondeu com uma nota que é uma obra-prima da evasão. Disse que segue os limites legais e que comparações entre anos diferentes precisam considerar “especificidades de cada período” e “necessidades de campanhas de utilidade pública”.

Traduzindo: não compare, porque a comparação nos prejudica.

Agora compare.

Quando Bolsonaro gastava com propaganda, a narrativa era de uso eleitoral da máquina pública. Quando Lula gasta mais que o dobro, é “necessidade de campanhas de utilidade pública”. O fato é o mesmo; a régua é que muda conforme quem está no poder.

O calendário não é coincidência

A legislação eleitoral impõe restrições à publicidade oficial no segundo semestre de anos eleitorais. Por isso, toda a artilharia publicitária do governo se concentra nos primeiros seis meses. Não é acidente. É estratégia.

Quinhentos e vinte milhões de reais em seis meses. É mais de 2,8 milhões por dia. Cada dia útil do brasileiro começa financiando a propaganda de quem pretende continuar no cargo.

O governo que prometeu transparência e transformou a Secom na maior agência de publicidade do país — financiada integralmente pelo contribuinte e operando a serviço de um projeto de reeleição.

Se isso não é uso da máquina pública, então a expressão perdeu todo o significado.


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