Presidente atribui alta do endividamento ao baixo crescimento econômico e critica juros elevados durante sabatina na TV Globo
Durante sabatina promovida pela TV Globo na noite desta quinta-feira 27, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que não vê motivo para alarme diante da trajetória crescente da dívida pública brasileira. “A mim, não preocupa a dívida pública“, afirmou o presidente-candidato, que busca a reeleição pelo Partido dos Trabalhadores (PT).
Desde o início do terceiro mandato de Lula, o endividamento público saltou de 72% para 82% do produto interno bruto (PIB). As projeções da própria equipe econômica do governo indicam que o indicador pode alcançar 87% até 2029.
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Comparação com outros países e expectativa de superávit
Para relativizar o patamar atual do endividamento, Lula traçou um paralelo com a situação dos Estados Unidos, cuja dívida atingiu o recorde de 40 trilhões de dólares — o equivalente a 120% do PIB americano. Na avaliação do presidente, o cenário brasileiro é proporcionalmente menos grave quando colocado em perspectiva internacional.
O candidato à reeleição também apresentou números para sustentar sua defesa de responsabilidade fiscal. Segundo ele, quando assumiu o governo, o déficit primário correspondia a 2,8% do PIB, resultado do aumento de gastos sociais promovido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro durante a pandemia de Covid-19 e, em seguida, para ampliar suas chances na disputa eleitoral de 2022. “Vamos fazer um superávit de 0,1% neste ano”, disse Lula. “Portanto, se tem alguém nesse país que tem responsabilidade fiscal, sou eu.”
Crescimento econômico como saída e críticas ao Banco Central
Na explicação de Lula sobre o avanço da dívida, o argumento central foi o baixo crescimento da economia nos últimos anos, que teria inflado a proporção dos compromissos financeiros em relação ao PIB. “Na medida que você começa a crescer a economia, a dívida começa a cair”, disse o presidente.
Outro fator apontado por Lula para a escalada do endividamento foram os juros elevados. O presidente retomou as críticas a Roberto Campos Neto, que foi indicado por Jair Bolsonaro para comandar o Banco Central e cumpriu o primeiro mandato à frente da instituição formalmente independente. Campos Neto permaneceu no cargo durante os dois primeiros anos do governo Lula e era frequentemente alvo de ataques do presidente e de aliados pela manutenção da taxa básica de juros, a Selic, em patamares considerados altos. “Eu fiquei dois anos com o presidente do Bolsonaro”, afirmou Lula, referindo-se ao período em que conviveu com a gestão herdada do governo anterior no BC.