Roberta Luchsinger depôs à Polícia Federal e negou qualquer repasse financeiro ao filho do presidente Lula
Investigada na Operação Sem Desconto, que apura o esquema conhecido como Farra do INSS, a empresária Roberta Luchsinger compareceu na manhã desta quarta-feira (20/5) à sede da Polícia Federal para prestar esclarecimentos. Amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, a lobista falou sobre sua relação com o filho do presidente e sobre as acusações que pesam contra ela.
Negativa de pagamentos e serviços envolvendo Lulinha
Durante o depoimento, Roberta Luchsinger afirmou que Lulinha nunca prestou qualquer tipo de serviço ligado à regulação de canabidiol. Segundo ela, ele também não recebeu qualquer remuneração — direta ou indireta — relacionada ao tema. A empresária foi categórica ao negar que tenha repassado valores ao amigo em qualquer circunstância.
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Ela relatou ainda ter apresentado Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, a Lulinha em um “contexto social”, sem relação com negócios ou com o esquema investigado.
Receio de exploração política após a operação
A defesa de Roberta Luchsinger divulgou nota com trechos baseados no depoimento. Um dos pontos destacados diz respeito à preocupação da empresária com a repercussão do caso: “Após a deflagração da operação, teve receio de que esse contato pudesse ser explorado politicamente”.
O papel do Careca do INSS no esquema
Apontado pela Polícia Federal como um dos principais operadores do esquema de descontos indevidos aplicados contra aposentados e pensionistas do INSS, o Careca do INSS está preso desde setembro do ano passado. De acordo com as investigações, ele repassou cerca de R$ 1,5 milhão para Roberta Luchsinger.
Em mensagem interceptada pelos investigadores, Antônio Carlos Camilo Antunes teria dito que o dinheiro era destinado ao “filho do rapaz” — uma possível referência a Lulinha.
Medidas judiciais contra a empresária
Dois meses após a prisão do Careca do INSS, em dezembro, Roberta Luchsinger foi alvo de mandado de busca e apreensão. Desde então, ela utiliza tornozeleira eletrônica como medida cautelar determinada pela Justiça.
Defesa denuncia campanha difamatória e misoginia
O advogado Bruno Salles, que representa a empresária, criticou duramente o tratamento dispensado a ela pela opinião pública e pela imprensa. Em nota, ele classificou a situação como uma verdadeira campanha difamatória.
“Sua trajetória foi eclipsada de maneira bastante misógina e preconceituosa, sendo reportada como herdeira, amiga, sócia, representante, socialite ou ainda, mais comum, e de maneira pejorativa, como ‘lobista’. Os esclarecimentos apresentados por meio de petição e ora oferecidos presencialmente desvelam por completo a tese acusatória desenhada inicialmente e vazada seletivamente de forma sistemática. Esperamos que após o depoimento, com a conclusão das apurações, sejam as investigações arquivadas em relação a sua pessoa, ante a demonstração da absoluta inexistência de qualquer conduta ilícita”, escreveu Bruno Salles.