Política

Livros em braille não chegam às escolas e alunos cegos perdem semestre sob governo Lula

Governo Lula não cumpriu promessa de distribuir livros em braille e milhares de alunos cegos seguem sem material pedagógico nas escolas públicas

Três meses após promessa do MEC, 75% das redes estaduais consultadas ainda não receberam os materiais pedagógicos para estudantes com deficiência visual

Milhares de estudantes cegos e surdocegos da rede pública brasileira seguem sem o principal instrumento pedagógico para acompanhar as aulas: o livro em braille. Com o primeiro semestre letivo em andamento, a promessa feita pelo Ministério da Educação (MEC) de regularizar a distribuição desses materiais ainda está longe de se concretizar — mais de 90 dias após o anúncio oficial.

Apenas duas redes estaduais confirmaram recebimento integral

Um levantamento conduzido pela Associação Brasileira da Indústria, Comércio e Serviços de Tecnologia Assistiva () junto a 12 redes estaduais de ensino revela o tamanho da falha. Das unidades consultadas, somente duas confirmaram ter recebido integralmente os materiais. Uma rede reportou entrega parcial. Outras nove declararam que os livros em braille simplesmente não chegaram.

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Na prática, os dados mostram que 75% das redes consultadas permanecem desassistidas, mesmo depois de encerrado o prazo que o governo do presidente (PT) havia estabelecido para normalizar as entregas.

Universo de alunos atendidos encolhe drasticamente

O problema vai além do atraso logístico. A Abridef aponta um fenômeno que chama de encolhimento progressivo no número de estudantes contemplados pela política pública. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), segundo a entidade, indicam a existência de mais de 45 mil estudantes cegos em idade escolar no Brasil.

Apesar desse contingente, o universo considerado pelo programa diminuiu etapa após etapa. Inicialmente, os sistemas do MEC identificaram 7.321 estudantes. Depois, o número oficialmente anunciado caiu para 3.495 . Hoje, na prática, a Abridef estima que apenas entre 2 mil e 2,3 mil estudantes estejam sendo efetivamente atendidos.

Rodrigo Rosso, presidente da Abridef, criticou duramente essa redução:

“Não se resolve uma crise de acesso reduzindo o número de alunos no papel. O FNDE saiu de um universo de mais de 45 mil estudantes cegos, passou a trabalhar com 7 mil, anunciou 3,5 mil e, na prática, hoje opera para pouco mais de 2 mil. Isso não é solução. É desidratação administrativa de um direito constitucional”, afirmou.

Promessa de março ficou no papel

Em março, o MEC havia anunciado a distribuição de 22,3 mil livros em braille destinados a 3.495 estudantes da rede pública. A medida veio após pressão de entidades ligadas à acessibilidade e questionamentos sobre falhas no atendimento a alunos com deficiência visual. Três meses depois, porém, a regularização prometida continua sem se materializar na maioria das escolas.

Prejuízo pedagógico já está consumado, diz entidade

A Abridef sustenta que o gargalo não está na capacidade técnica de produção dos materiais, mas sim na ausência de planejamento adequado, falta de previsibilidade e descumprimento de cronogramas por parte do governo federal.

“O FNDE começou a se mexer, mas tarde demais, devagar demais e em escala muito pequena. Para muitos estudantes cegos, o semestre já foi comprometido. Quando o livro chega em maio, junho ou julho, o pedagógico já está dado”, disse Rosso.

Risco de crise permanente a partir de 2027

A preocupação da associação já extrapola o ciclo atual. Segundo a Abridef, a demora nas entregas de 2026 pode prejudicar o planejamento do próximo ano letivo. Pelos prazos operacionais do programa, as etapas referentes a 2027 — transcrição, revisão, impressão e entrega — precisariam avançar até julho para garantir que os materiais estejam prontos no início das aulas.

“Se o governo passar o ano inteiro correndo atrás do prejuízo de 2026 e não organizar desde já o edital de 2027, a crise vira rotina anual. O país não pode naturalizar que o estudante cego comece o ano sem braille e termine o semestre esperando pelo que deveria ter recebido no primeiro dia de aula”, afirmou Rosso.

Abridef cobra transparência e cronograma detalhado

Diante desse cenário, a Abridef cobra do MEC e do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) que divulguem um cronograma detalhado. A entidade quer informações claras sobre números de produção, distribuição, quantidade efetiva de estudantes atendidos e prazo real para conclusão de todas as entregas.

“Mais de 90 dias depois do início das aulas, a pergunta já não é mais se o braille vai chegar. A pergunta é quantos alunos foram deixados para trás, quantos ainda vão perder o semestre e quem vai assumir a por isso”, concluiu Rosso.

Procurado pela reportagem, o MEC não se manifestou até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto para esclarecimentos.


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Debate editorial

2 comentários

  1. Esse pilântra não sabe o valor desses livros pra quem nunca viu a luz do Sol. Pra ele,tudo correspondente as mil maravilhas,ordena que se feche a praia para gozar da sua intimidade com Janja. FDP.

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