Relatório do Coaf aponta movimentações financeiras, segundo o “Estadão”
Uma movimentação financeira envolvendo a holding J&F e a empresa que adquiriu participação em um resort ligado ao ministro do STF Dias Toffoli entrou no radar de autoridades. De acordo com reportagem de Gustavo Côrtes, Vinícius Valfré e Aguirre Talento, do Estadão, a J&F destinou R$ 25,9 milhões à PHB Holding, companhia que posteriormente comprou cotas do resort Tayayá.
O empreendimento de luxo está situado na divisa entre os estados de Paraná e São Paulo e tinha participação de familiares e do próprio ministro.
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Transferência milionária foi identificada pelo Coaf
As informações sobre o repasse foram registradas em relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Segundo o levantamento, o valor foi transferido pela J&F em uma única operação bancária realizada entre os dias 5 de fevereiro e 6 de outubro de 2025. O documento, no entanto, não especifica a data exata da transação.
A PHB Holding, que recebeu os recursos, pertence ao advogado Paulo Humberto Barbosa, que já prestou serviços à JBS — empresa controlada pelos irmãos Joesley e Wesley Batista.
Venda das cotas ocorreu dias após movimentação
Pouco tempo depois, em 21 de fevereiro, a empresa Maridt, ligada aos irmãos Toffoli, vendeu sua participação no resort Tayayá para a PHB Holding.
O ministro Dias Toffoli já confirmou a negociação, mas o valor pago pela participação nunca foi divulgado publicamente.
Contexto envolve decisão sobre multa bilionária
O caso ocorre após uma decisão relevante tomada por Toffoli em dezembro de 2023. Na ocasião, o ministro suspendeu, de forma individual, o pagamento de uma multa de R$ 10,3 bilhões prevista no acordo de leniência firmado entre a J&F e o Ministério Público Federal.
Nesse acordo, a empresa havia admitido envolvimento em práticas de corrupção e outras irregularidades. Posteriormente, a holding conseguiu reduzir o valor da multa na Justiça Federal de Brasília.
Versões das partes envolvidas
Em nota, Dias Toffoli afirmou que a venda das cotas foi realizada “exclusivamente com a PHB Holding”, sem qualquer vínculo com a J&F. O ministro também declarou que todas as movimentações financeiras foram devidamente informadas às autoridades competentes.
Paulo Humberto Barbosa, por sua vez, afirmou que os valores recebidos da J&F não têm relação com a compra das cotas do resort. Segundo ele, os recursos correspondem a honorários por serviços advocatícios prestados ao grupo.
Já a J&F declarou que o pagamento feito à PHB Holding refere-se a honorários legais e reforçou que não possui participação societária no resort Tayayá.