Política

J&F pagou R$ 11,5 milhões a escritório em Goiânia, e dinheiro chegou a comprador de resort da família Toffoli

Relatório do Coaf rastreia R$ 11,5 milhões pagos pela J&F a escritório de Goiânia que repassou valores ao comprador de resort ligado a Toffoli

J&F pagou R$ 11,5 milhões a escritório em Goiânia, e dinheiro chegou a comprador de resort da família Toffoli

Um e empresário chamado Paulo Humberto Barbosa, que em 2025 comprou a participação do ministro , do Supremo Tribunal Federal (STF), no Resort Tayayá, recebeu R$ 3,5 milhões transferidos por uma advogada de Goiânia no mesmo dia em que ela havia sido contemplada com repasses milionários de empresas do grupo .

Os dados constam de relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que mapeou movimentações financeiras incompatíveis com o perfil da empresa receptora dos recursos. As informações foram divulgadas pelo jornal O Estado de S.Paulo nesta segunda-feira, 27.

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Escritório de advocacia com faturamento mensal de R$ 9 mil

O escritório que intermediou as transações pertence à advogada Maísa de Maio Marciano. Segundo o Coaf, o estabelecimento registrava faturamento mensal de aproximadamente R$ 9 mil — valor amplamente desproporcional aos R$ 11,5 milhões que recebeu de empresas dos irmãos Joesley e Wesley Batista.

O endereço cadastrado do escritório corresponde a uma sala compartilhada no Setor Sul, na capital goiana. No local, são oferecidos serviços como locação de espaço e endereço fiscal.

Cronologia dos repasses milionários

A JBS realizou uma transferência de R$ 8 milhões em 15 de dezembro de 2023. Três dias depois, em 18 de dezembro, a J&F Investimentos depositou mais R$ 3,5 milhões na conta da advogada.

Nessa mesma data, Maísa de Maio Marciano repassou R$ 3,5 milhões ao advogado e empresário Paulo Humberto Barbosa, conforme apurou o Estadão.

Já no dia em que recebeu os R$ 8 milhões da JBS, o escritório direcionou R$ 6,9 milhões ao BK Bank. O Coaf identificou a empresa como destinatária dos recursos.

BK Bank já foi alvo de investigações policiais

A fintech BK Bank declarou que “todas as transações processadas por meio de sua plataforma são devidamente identificadas e registradas nas contas individualizadas dos clientes, com origem e destino dos recursos, garantindo elevados padrões de e rastreabilidade”.

Apesar da manifestação, a empresa já figurou em investigações conduzidas pela e pelo Ministério Público de São Paulo. As suspeitas envolvem o uso de contas que dificultariam o rastreamento financeiro e possível ligação com esquemas do Primeiro Comando da Capital.

Alerta bancário e classificação de risco

O caso veio à tona a partir de um alerta emitido por uma agência do Sicoob, em fevereiro de 2024, com base nas movimentações da conta da advogada. O relatório do Coaf apontou que não houve apresentação de documentos que justificassem as transações. O órgão classificou a situação como de “alto risco para lavagem de dinheiro”.

Conexão com decisão favorável à J&F no STF

Paulo Humberto Barbosa ganhou notoriedade ao adquirir, em 2025, a participação do ministro Dias Toffoli no Resort Tayayá. Meses depois, comprou também a parte de outro sócio do empreendimento.

Um dado relevante na linha do tempo: em 20 de dezembro de 2023 — apenas dois dias após os repasses da J&F Investimentos à advogada —, o ministro Toffoli suspendeu uma multa de R$ 10,3 bilhões aplicada à J&F em acordo firmado com o Ministério Público Federal. A defesa da empresa havia alegado irregularidades no processo.

Empresas não detalham serviços contratados

JBS e J&F afirmaram que os pagamentos correspondem a “serviços jurídicos prestados e comprovados”, com emissão de nota fiscal e recolhimento de tributos. As empresas, contudo, não especificaram quais serviços foram contratados nem esclareceram a destinação final dos valores repassados ao escritório da advogada em Goiânia.


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