Casa Branca analisa cenários após aumento da repressão e centenas de mortes durante manifestações
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estaria analisando a possibilidade de uma intervenção no Irã em meio à escalada de protestos violentos que se espalharam pelo país e já resultaram em centenas de mortes até este domingo (11). A informação vem sendo divulgada pela imprensa norte-americana, com base em fontes próximas ao governo americano.
De acordo com relatos publicados pelo The New York Times e pela CNN dos Estados Unidos, Trump tem recebido relatórios de inteligência que avaliam diferentes cenários, incluindo a possibilidade de ataques contra alvos iranianos.
Receba no WhatsApp as principais notícias do dia em primeira mão
Avaliação inclui opções sem uso direto da força
Segundo autoridades ouvidas pela imprensa, as discussões dentro do governo americano não se limitam a ações militares diretas. Parte das análises envolve alternativas que dispensariam o emprego imediato da força armada dos Estados Unidos, embora esses cenários não tenham sido detalhados.
Mesmo assim, o presidente norte-americano considera colocar em prática ameaças recentes feitas publicamente, nas quais afirmou que os EUA poderiam agir caso o governo iraniano continue utilizando força letal contra manifestantes.
Sinalização pública nas redes sociais
No sábado (10), Trump publicou uma mensagem em sua rede social, a TruthSocial, afirmando que os Estados Unidos estavam “prontos para ajudar”, declaração interpretada por analistas como um recado direto às autoridades iranianas em meio à crise interna.
Número de mortos e prisões aumenta
Segundo dados divulgados pela organização de direitos humanos HRANA, com sede nos Estados Unidos, mais de 500 pessoas morreram desde o início das manifestações. Além disso, aproximadamente 10,6 mil indivíduos foram presos ao longo de duas semanas de protestos.
A atual onda de mobilizações é considerada a maior desde 2022. Embora grande parte dos atos seja direcionada contra o regime islâmico, também foram registrados protestos de apoio ao governo em algumas cidades.
Reação do regime iraniano
Na sexta-feira (9), o líder supremo do Irã, Ali Khamenei, fez um pronunciamento no qual criticou duramente os manifestantes. Ele os classificou como “vândalos” e acusou os Estados Unidos de estarem por trás da mobilização popular.
Em tom ainda mais duro, Ali Larijani, conselheiro de Khamenei e chefe da principal agência de segurança do país, afirmou: “Estamos em plena guerra”.
Contexto de fragilidade internacional
As manifestações ocorrem em um momento delicado para o Irã no cenário internacional. O país ainda sofre os impactos do recente conflito com Israel e dos enfraquecimentos sucessivos de aliados estratégicos na região.
Além disso, em setembro, a Organização das Nações Unidas (ONU) restabeleceu sanções relacionadas ao programa nuclear iraniano, aumentando a pressão econômica e diplomática sobre o regime em meio à instabilidade interna.