Presidente da Abimaq alerta para domínio crescente da China no mercado brasileiro enquanto governo não apresenta estratégia clara de proteção à indústria nacional
Enquanto o governo Lula mantém uma relação cada vez mais estreita com Pequim, o setor industrial brasileiro acende um sinal de alerta grave. O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), José Velloso, declarou que o avanço de produtos chineses sobre o mercado nacional representa uma ameaça superior ao tarifaço norte-americano. A afirmação foi feita nesta quarta-feira, 22, em entrevista à CNN Brasil.
China domina 37% do mercado de importação de máquinas
Os números apresentados por Velloso revelam um cenário preocupante para a indústria brasileira. O mercado de importação de máquinas no Brasil movimenta US$ 32 bilhões por ano. Desse montante, aproximadamente 37% já são controlados pela China — um único país concentrando mais de um terço das compras externas do setor.
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O executivo destacou que essa predominância de um fornecedor solo sufoca fabricantes internacionais tradicionais, como norte-americanos e alemães, e comprime ainda mais o espaço dos produtores nacionais. A indústria brasileira, que já enfrenta dificuldades históricas de competitividade, perde terreno num ritmo alarmante.
“A China está crescendo no Brasil em todos os mercados”, afirmou Velloso. “Se a gente for comparar, o problema da ‘invasão’ chinesa é muito mais grave que o tarifaço.”
Avanço chinês se espalha por múltiplos setores
O alerta do presidente da Abimaq não se restringe ao segmento de máquinas e equipamentos. Velloso deixou claro que a invasão chinesa atinge praticamente todas as frentes da economia. “A participação brasileira está caindo”, afirmou. “Só um que cresce, que é a China. Não são só máquinas: são automóveis, calçados, confecção e agro.”
A declaração expõe uma vulnerabilidade estrutural que o governo Lula parece ignorar ou, no mínimo, tratar com leniência excessiva. Carros chineses, por exemplo, já lideram emplacamentos no Brasil, enquanto setores tradicionais da indústria nacional perdem competitividade sem contar com políticas de proteção adequadas.
Reunião com Alckmin e propostas ao governo
Na véspera da entrevista, na terça-feira, 21, Velloso se reuniu com o vice-presidente do Brasil, Geraldo Alckmin, para tratar da tarifa comercial de 25% imposta pelos Estados Unidos. O executivo também revelou detalhes de um encontro com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), que contou com a presença de representantes do Ministério das Relações Exteriores e da Fazenda.
As propostas do setor industrial
O setor de máquinas apresentou uma série de medidas para enfrentar o impacto das tarifas americanas e estimular a competitividade brasileira:
- Postergação do pagamento de impostos federais para melhorar o capital de giro das empresas;
- Ampliação do Apex Brasil, programa vinculado ao MDIC que auxilia empresas a abrirem e ampliarem negócios fora do país;
- Prorrogação do drawback, regime tributário que isenta produtos importados e/ou nacionais agregados a um item destinado à exportação;
- Reedição do plano Brasil Soberano, programa apresentado pelo governo durante o primeiro tarifaço dos EUA, com flexibilizações como isenção do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), facilitação da entrada de novas empresas e redução do spread dos bancos repassadores.
A necessidade de o setor privado ir até o governo com uma lista pronta de soluções evidencia a ausência de protagonismo do Executivo federal diante de uma crise que já não é novidade. Enquanto a indústria brasileira pede socorro, a gestão Lula segue sem oferecer uma estratégia consistente para conter o domínio chinês ou blindar a produção nacional dos efeitos do tarifaço.