Documentos da CPMI e do Coaf indicam movimentações milionárias e suspeita de consultoria de fachada
Relatórios baseados em investigações da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS e em dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), divulgados em janeiro de 2026, apontam movimentações financeiras de R$ 371 milhões envolvendo a empresa Spider Consultoria.
A apuração descreve a empresa como possível “consultoria de fachada”. Segundo os documentos, o dono formal do negócio seria um auxiliar de serviços gerais de 25 anos, e a companhia não teria sede física compatível com o volume financeiro movimentado.
Conexões políticas e repasses
Os relatórios citam a publicitária Daniele Fonteles, que atuou em campanhas eleitorais do Partido dos Trabalhadores (PT). Ela aparece conectada a Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado como suspeito de utilizar a estrutura da Spider Consultoria.
De acordo com as investigações, a empresa teria recebido recursos da ADNAR S.A., companhia ligada a Antunes. A Spider também teria realizado pagamento de R$ 200 mil à publicitária, além de movimentar valores considerados elevados, o que é tratado como possível estratégia de ocultação patrimonial.
Daniele Fonteles afirmou que não conhece a Spider Consultoria e declarou que o pagamento teria sido determinado por Antunes para a compra de uma casa.
Outras movimentações sob análise
Relatórios do Coaf também apontam transações envolvendo Ricardo Bimbo, coordenador de tecnologia do PT, e a empresa ADS Soluções e Marketing, igualmente citada nas investigações.
Segundo os dados, a empresa de tecnologia da qual Bimbo é sócio teria recebido R$ 2,5 milhões. As movimentações são analisadas no contexto de suspeitas de fraude.
Foco na “farra do INSS”
As apurações da CPMI investigam um esquema apelidado de “farra do INSS”, que envolve supostos descontos ilegais de mensalidades associativas aplicados em benefícios de aposentados.
O governo federal afirmou que o esquema teria origem em fraudes iniciadas na gestão anterior e declarou que a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU) estão conduzindo as investigações.
Até o momento, os relatórios apontam indícios e movimentações financeiras suspeitas, mas os fatos seguem sob apuração oficial.
Esses canalhas roubam tanto que se torna imensurável