Ex-integrante do Departamento de Estado chama decisão do ministro do STF de “insana”
O ex-funcionário do Departamento de Estado dos Estados Unidos, Mike Benz, criticou nas redes sociais a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que impediu a visita do assessor americano Darren Beattie ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Em publicação feita na noite de quinta-feira (12), Benz classificou a medida como “insana”.
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“Insano”, escreveu. “O juiz Voldemort Moraes [referência ao vilão da saga Harry Potter], no Brasil, acaba de impedir Darren J. Beattie de visitar o presidente Bolsonaro na prisão.”
Moraes havia autorizado visita inicialmente
Inicialmente, Moraes havia autorizado, na terça-feira (10), que Darren Beattie, conselheiro sênior para política brasileira no governo americano, visitasse Bolsonaro.
O encontro estava previsto para ocorrer no dia 18 de março, entre 8h e 10h, na unidade prisional onde o ex-presidente se encontra em Brasília. A reunião teria inclusive intérprete disponível.
O pedido para a visita havia sido apresentado pela defesa de Bolsonaro.
Pedido de mudança levou à revisão da decisão
Posteriormente, os advogados do ex-presidente apresentaram uma nova solicitação relacionada à visita.
Diante disso, Moraes decidiu pedir esclarecimentos ao Ministério das Relações Exteriores do Brasil, o Itamaraty, sobre a agenda oficial do representante americano no país.
Itamaraty apontou possível ingerência externa
Em resposta ao STF, o Itamaraty informou que a visita a Bolsonaro não fazia parte da agenda diplomática oficial de Beattie.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que o pedido de encontro não havia sido comunicado previamente ao ministério.
“Tal pedido jamais tramitou pelo Ministério das Relações Exteriores ou foi sequer objeto de comunicação destinada a este Ministério”, declarou o chanceler.
Viagem tinha objetivo diferente
De acordo com o Itamaraty, o visto concedido ao assessor americano tinha como objetivo a participação no Fórum Brasil-EUA de Minerais Críticos, previsto para ocorrer em São Paulo, na sede da Câmara Americana de Comércio para o Brasil.
Além do evento, a agenda previa reuniões com autoridades brasileiras, sem menção a encontros com o ex-presidente.
Moraes citou possível interferência na política brasileira
Com base nas informações recebidas, Alexandre de Moraes decidiu revogar a autorização concedida anteriormente.
Na decisão, o ministro afirmou que a visita não estava relacionada ao contexto diplomático que justificou a concessão do visto.
“Portanto, a realização da visita de Darren Beattie não está inserida no contexto diplomático que autorizou a concessão do visto e seu ingresso no território brasileiro”, declarou Moraes.
O ministro também citou o princípio da não intervenção em assuntos internos, previsto na Constituição brasileira e em tratados internacionais.