Mudança no topo da Justiça Eleitoral ocorre às vésperas da campanha
A poucos meses do início oficial da campanha eleitoral, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) passará a ser comandado por dois ministros indicados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro ao Supremo Tribunal Federal (STF). A mudança ocorre em um momento estratégico, quando decisões da corte têm impacto direto sobre o processo eleitoral.
Kassio Nunes Marques assumirá a presidência do tribunal no fim de maio, substituindo Cármen Lúcia. Já André Mendonça ocupará a vice-presidência.
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Comando inédito com indicados do mesmo presidente
Será a primeira vez que dois ministros nomeados por Bolsonaro estarão simultaneamente à frente do TSE. O início do mandato coincide com o período que antecede a campanha eleitoral, marcada para começar em 16 de agosto — fase em que a atuação da corte se torna mais intensa e sensível.
Nesse intervalo, o tribunal amplia a análise de ações movidas por candidatos e partidos, incluindo pedidos de remoção de propaganda eleitoral, concessão de direito de resposta e outros conflitos típicos do período eleitoral.
Troca de cadeiras segue regra, mas ocorre em momento delicado
A saída de Cármen Lúcia do comando também implica sua saída do próprio TSE. Em seu lugar, assumirá o ministro Dias Toffoli, seguindo o sistema de rodízio adotado pelo STF para preencher as vagas destinadas à Corte na Justiça Eleitoral.
Apesar de ser um procedimento previsto, a mudança acontece em um contexto político sensível, com o tribunal prestes a arbitrar disputas relevantes entre campanhas.
Inteligência artificial e fake news entram no foco
Em declarações recentes, Nunes Marques afirmou que o TSE pretende reforçar o combate à desinformação e ao uso de inteligência artificial nas eleições. Segundo ele, haverá monitoramento mais rigoroso das campanhas digitais.
A proposta inclui parcerias com plataformas online para rastrear anúncios, com dados detalhados sobre financiamento, valores investidos e alcance das publicações.
Estrutura do TSE e mandatos
O Tribunal Superior Eleitoral é composto por, no mínimo, sete ministros. Três deles são oriundos do STF, dois do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e dois representam a classe dos juristas — advogados indicados pelo presidente da República com reconhecido saber jurídico.
Os mandatos têm duração de dois anos, sendo permitida a permanência por até dois biênios consecutivos.