Economia

Inadimplência no Brasil atinge 73,7 milhões de pessoas em fevereiro

Brasil registra 73,7 milhões de inadimplentes em fevereiro, com aumento anual de 10,22% e crescimento das dívidas em vários setores.

Número de brasileiros com dívidas cresce e já representa 44,11% da população adulta

O Brasil registrou em fevereiro de 2026 um total de 73,7 milhões de consumidores inadimplentes, segundo dados do Indicador de Inadimplência da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil. Esse volume corresponde a 44,11% da população adulta do país, indicando que quase metade dos brasileiros enfrenta dificuldades para manter as contas em dia.

O avanço ocorreu após o país já ter enfrentado o pior mês de janeiro da série histórica, mostrando que o cenário de endividamento segue pressionando o orçamento das famílias.

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Na comparação com fevereiro de 2025, o número de devedores apresentou crescimento de 10,22%. Já na análise mensal, comparando janeiro e fevereiro de 2026, houve alta de 0,71%.

Aumento da inadimplência mais antiga

O crescimento anual foi puxado principalmente pelo aumento de consumidores que permanecem com o nome negativado por períodos entre quatro e cinco anos, faixa em que o avanço chegou a 36,25%.

Segundo o presidente da CNDL, José César da Costa, o cenário reflete dificuldades estruturais enfrentadas pelas famílias brasileiras.

“O avanço da inadimplência reflete o cenário desafiador que o brasileiro enfrenta para equilibrar o orçamento doméstico. Manter as contas em dia tornou-se uma tarefa árdua diante de um custo de vida ainda elevado e do comprometimento da renda com dívidas passadas. Esse ciclo é extremamente prejudicial para a economia: o consumidor inadimplente perde seu poder de compra e, por consequência, retira-se do mercado de consumo. Sem crédito e com a renda corroída, o consumo das famílias trava, o que impacta diretamente o dinamismo do comércio e de todo o setor de serviços, retardando a recuperação econômica do país”.

Perfil dos consumidores inadimplentes

Os dados indicam forte concentração de inadimplência entre adultos jovens. A faixa etária entre 30 e 39 anos reúne o maior número de negativados, somando 18,01 milhões de pessoas.

Nesse grupo, 53,12% da população está com o nome negativado, ou seja, mais da metade enfrenta algum tipo de restrição de crédito.

A divisão por gênero mostra um cenário equilibrado, com leve predominância feminina entre os inadimplentes:

  • 51,35% mulheres
  • 48,65% homens

Regiões do país registram crescimento da inadimplência

A análise regional aponta crescimento em todas as regiões do Brasil na comparação anual.

O Sul apresentou a maior alta no número de inadimplentes, com 9,81%, seguido por:

  • Sudeste: 9,80%
  • Norte: 9,16%
  • Centro-Oeste: 7,67%
  • Nordeste: 7,58%

Quando observado o percentual de adultos negativados, o Centro-Oeste aparece com a maior proporção: 47,62% da população adulta possui dívidas em atraso. Já o Sul registra o menor percentual relativo, com 39,75%.

Valor médio das dívidas e quantidade de credores

Em fevereiro de 2026, cada consumidor inadimplente possuía, em média, R$ 4.992,43 em dívidas.

Além disso, cada pessoa tinha débitos registrados com cerca de 2,29 empresas credoras.

Os dados também indicam que uma parcela significativa das pendências envolve valores menores:

  • 29,90% dos consumidores deviam até R$ 500
  • 42,51% possuíam dívidas de até R$ 1.000

Orientação para sair da inadimplência

Para o presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Júnior, reorganizar o orçamento familiar é o primeiro passo para recuperar a saúde financeira.

“A saída da inadimplência exige, antes de tudo, um choque de gestão no orçamento familiar. O consumidor precisa encarar a realidade dos números, listando todas as despesas e priorizando o essencial para identificar onde é possível cortar. O planejamento das negociações é o passo seguinte: ninguém deve firmar um acordo de pagamento que não consiga cumprir, sob o risco de frustrar a reabilitação do crédito. Manter o nome limpo não é apenas uma questão de honra, mas um ativo estratégico; é o que garante ao cidadão o acesso a juros menores e a capacidade de realizar projetos futuros”.

Crescimento do número de dívidas

Além do aumento no total de consumidores inadimplentes, o volume de dívidas em atraso também subiu.

Em fevereiro de 2026, o número de débitos registrados apresentou alta de 17,76% em relação ao mesmo mês de 2025, superando a variação anual observada em janeiro.

Na comparação mensal, entre janeiro e fevereiro, o crescimento foi de 2,28%.

Setores com maior crescimento de dívidas

Ao analisar os setores credores, as maiores altas ocorreram nas contas de serviços essenciais.

O crescimento foi liderado por:

  • Água e Luz: alta de 27,28%
  • Bancos: aumento de 17,26%
  • Comunicação: crescimento de 14,82%
  • Comércio: avanço de 2,14%

Participação dos setores nas dívidas

Os bancos concentram a maior parte dos débitos registrados no país.

A participação por setor é a seguinte:

  • Bancos: 66,22% das dívidas
  • Água e Luz: 10,56%
  • Outros setores: 9,04%
  • Comércio: 8,67%

Evolução regional do número de dívidas

No recorte por regiões, todas registraram aumento no número de dívidas.

Os maiores crescimentos ocorreram em:

  • Sul: 18,11%
  • Sudeste: 18,02%
  • Norte: 17,96%
  • Centro-Oeste: 15,41%
  • Nordeste: 14,18%

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