Dados do Itamaraty revelam que 35 brasileiros morreram e 92 estão desaparecidos desde o início do conflito em 2022
O Brasil figura entre os países com maior número de baixas de combatentes estrangeiros na guerra contra a Rússia. Levantamentos não oficiais, baseados em anúncios públicos de mortes e desaparecimentos, colocavam o país na terceira posição durante a apuração, atrás apenas de Estados Unidos e Colômbia.
Números alarmantes do Itamaraty
De acordo com dados do Ministério das Relações Exteriores, 92 brasileiros estão desaparecidos e 35 perderam a vida desde que a invasão russa começou. Esses números mais que dobraram em relação ao registrado até o fim do ano passado, evidenciando uma escalada preocupante na presença de cidadãos brasileiros no front ucraniano.
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Campanhas de recrutamento miram o público brasileiro
A Ucrânia vem ampliando a divulgação de campanhas voltadas especificamente a brasileiros como parte de uma estratégia mais ampla de reforço de suas tropas com combatentes estrangeiros. Mudanças nos contratos e nos salários oferecidos aos voluntários internacionais deram impulso a essa iniciativa.
Apesar de Kiev não divulgar oficialmente quantos estrangeiros atuam no conflito, diversos indícios revelam uma participação expressiva de brasileiros. Existe, por exemplo, uma companhia militar formada majoritariamente por falantes de português e comandada por brasileiros. Além disso, material de recrutamento em português é produzido com frequência e distribuído nas redes sociais.
Perdas militares ucranianas impulsionam busca por voluntários
A intensificação do recrutamento de estrangeiros acontece num contexto de grandes dificuldades para as Forças Armadas ucranianas reporem seus efetivos. Estimativas indicam que entre 125 mil e 150 mil soldados ucranianos morreram desde fevereiro de 2022, quando a invasão russa teve início. Mais de 200 mil militares teriam desertado no mesmo período.
Apenas três dias após o começo da guerra, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, fez um chamado a voluntários estrangeiros para integrar a defesa do país. A partir daí, milhares de combatentes passaram a compor a chamada Legião Internacional. Em 2026, autoridades ucranianas afirmaram que mais de 10 mil voluntários de cerca de 75 países já haviam lutado ao lado da Ucrânia.
Questões jurídicas para o Brasil
A presença de brasileiros no conflito também suscita questionamentos no campo jurídico. O Brasil não aderiu à Convenção da ONU contra mercenários e não possui legislação específica sobre a atuação de seus cidadãos em guerras estrangeiras, o que torna o tema ainda mais delicado do ponto de vista legal.