Campanha digital tenta vender imagem “verde” do Brasil em meio a queixas sobre infraestrutura precária e custos abusivos
O governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) destinou R$ 724,8 mil em recursos públicos para impulsionar campanhas publicitárias da COP30 nas redes sociais, segundo dados obtidos pela plataforma Meta (controladora do Facebook e Instagram).
A ação de marketing busca reforçar a imagem internacional do Brasil como “líder climático”, mas ocorre em meio a uma enxurrada de críticas sobre a infraestrutura precária e os altos custos do evento em Belém (PA), cidade-sede da conferência.
Propaganda ambiental, realidade caótica
Entre os dias 6 e 9 de novembro, o governo federal gastou R$ 643,5 mil apenas em publicidade digital, período em que começaram a circular reportagens denunciando preços abusivos e improvisos logísticos.
Visitantes relataram alimentos caríssimos — como cafés a R$ 25 e quiches a R$ 45 — e problemas estruturais como telhados com vazamentos, falta de transporte adequado e hotéis sem infraestrutura.
Apesar disso, as peças publicitárias do governo exibem apenas discursos sobre sustentabilidade e inclusão indígena, ignorando as dificuldades enfrentadas por delegações e turistas.
Um único vídeo de 30 segundos, estrelado por uma criança indígena e com o lema “O Brasil vai enfrentar a mudança do clima”, consumiu mais de R$ 200 mil em mídia paga. A peça já ultrapassou 1 milhão de visualizações, mas não menciona nenhum dos problemas reais da COP30.
Gasto com publicidade supera segurança pública
Desde o anúncio oficial da conferência, o governo já investiu R$ 81,2 mil adicionais em campanhas de imagem. Somente em novembro, os gastos com publicidade superaram os R$ 500 mil destinados à segurança pública para a megaoperação no Rio de Janeiro, que deixou 121 mortos.
Enquanto o evento em Belém se tornou vitrine de improvisos e obras inacabadas, a prioridade do governo tem sido embelezar a narrativa internacional sobre o Brasil “verde” e engajado nas causas ambientais.