Golpe do vômito falso em ônibus de São Paulo: influenciador relata furto de celular
Uma modalidade de furto que envolve distração coordenada tem preocupado passageiros do transporte público na capital paulista. Conhecida como “golpe do vômito”, a ação consiste em sujar a roupa da vítima com um líquido que imita vômito enquanto comparsas se aproximam oferecendo ajuda — e aproveitam para levar celular, documentos e outros pertences.
Criador de conteúdo é alvo na linha Ana Rosa
Na semana passada, o criador de conteúdo Guilherme Giaretta foi vítima do golpe quando retornava do trabalho dentro de um ônibus da linha 175P-10 (Ana Rosa), em São Paulo. Ele publicou um vídeo nas redes sociais relatando o ocorrido, e a postagem já acumulava mais de cinco mil compartilhamentos e 50 mil curtidas no Instagram até a quarta-feira, 29.
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Giaretta contou que estava sentado e nem sequer segurava o aparelho, que se encontrava guardado no bolso. “Eu estava dentro do ônibus, voltando do trabalho, sentado. Não estava com o celular na mão. Meu celular estava no bolso. Quando, de repente, um homem me cutuca, aponta pras minhas costas, e estava cheia de alguma coisa igual vômito escorrendo no banco que eu estava sentado e sujando toda minha camiseta”, relatou.
Ele garantiu que o banco estava limpo quando se sentou. “Eu fiquei desesperado. Não vi acontecer nada, ninguém vomitando ali. O homem falava em espanhol, repetia que uma criança de colo tinha acabado de vomitar e a mãe saído do ônibus”, disse.
Ação coordenada de pelo menos dois criminosos
Dois homens cercaram Giaretta de forma aparentemente solícita, oferecendo-se para limpar a sujeira. O influenciador admitiu que o desespero o impediu de raciocinar com clareza. “Eu estava tão em choque, minhas costas estavam cheia de vômito, que eu nem consegui pensar razoavelmente”, afirmou.
“O homem puxava minha camiseta e falava: ‘não, eu vou limpar’. Ele pegou um lencinho e ficava limpando”, disse. Apesar da aparência repulsiva, o líquido não tinha o odor característico de vômito. “Basicamente, eles jogaram aquilo na minha roupa pra eu ficar distraído. Eles me envolveram naquela situação de uma maneira que eu realmente fiquei desesperado”, relatou.
Percepção do furto e dados de criminalidade na região
Os criminosos desembarcaram no ponto seguinte. Só então Giaretta procurou pelo celular e pelos documentos. “Fui atrás do meu celular, procurar nas minhas coisas e não achava por nada. Foi quando começou a cair a ficha que eu tinha sido furtado”, afirmou.
O influenciador percebeu o furto quando o ônibus já se aproximava da estação Clínicas, na Avenida Doutor Arnaldo, em Perdizes. De acordo com dados do Radar da Criminalidade referentes a fevereiro deste ano, somente nessa via foram registrados 11 casos de furto de celular.
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Giaretta não é a única vítima a tornar o caso público. A criadora de conteúdo digital Mirian de Almeida passou por situação praticamente idêntica em setembro do ano passado, dentro de um ônibus com itinerário para o bairro São Mateus.
“Perto da estação São Lucas, um cara que falava espanhol me avisou a roupa estava suja. Eu estava editando vídeo e, quando vi, realmente estava suja. Fiquei desesperada, porque parece uma gosta, um vômito”, contou. Segundo ela, depois disseram que poderia se tratar de pasta de amendoim.
O homem que alertou sobre a mancha ofereceu um guardanapo e ajudou na limpeza. “Aí eu limpei, questão de dez segundos. Ele falou que o ponto dele tinha chegado, eu agradeci, e ele desceu. Assim que ele desceu, dei falta do celular”, contou. Mirian acredita que o criminoso não agia sozinho no coletivo.
O que diz a Secretaria de Segurança Pública
Procurada pelo Estadão, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP) informou que uma ocorrência de furto de celular em transporte público foi registrada em 22 de abril, pelo 78º Distrito Policial, nos Jardins. A pasta afirmou que o caso está sendo investigado.
“A Polícia Civil segue à disposição das demais vítimas para a formalização do registro do boletim de ocorrência. A SSP orienta que, ao desconfiar de uma atitude suspeita, as vítimas acionem imediatamente a Polícia Militar pelo telefone 190, informando o máximo de detalhes possível, para que a viatura mais próxima possa se deslocar ao local e realizar a averiguação. É fundamental que as vítimas também formalizem o registro do boletim de ocorrência para que o caso seja devidamente investigado e os autores responsabilizados”, informou.