Decano do STF classificou pedido de indiciamento como ‘erro histórico’ e cobrou atuação da Procuradoria-Geral da República
Durante sessão da 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira, 14, o ministro Gilmar Mendes reforçou suas críticas ao relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado. O documento, de autoria do senador Alessandro Vieira (MDB-SE), solicita o indiciamento de integrantes da mais alta corte do país — entre eles, o próprio Gilmar.
Pedido de indiciamento abrange três ministros e o procurador-geral
Além de Gilmar Mendes, o relatório final da CPI do Crime Organizado inclui os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes na lista de indiciados. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, também consta no documento apresentado por Vieira.
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Decano qualifica relatório como ‘erro histórico’
Na sessão do colegiado, que conta com André Mendonça, Dias Toffoli, Luiz Fux e Nunes Marques como integrantes, Gilmar — presidente da 2ª Turma — foi enfático ao classificar a iniciativa parlamentar.
“O pedido formulado pelo relator da CPI do Crime Organizado, voltado ao indiciamento de ministros do Supremo sem base legal, não constitui apenas um equívoco técnico”, afirmou o ministro. “Trata-se de erro histórico que nos conduz a uma reflexão mais ampla sobre o papel e os poderes das Comissões Parlamentares de Inquérito.”
Ministro aponta omissões da CPI e cobra investigação de milicianos
Gilmar também direcionou críticas ao que considerou ser uma falha grave na atuação da comissão. Segundo o magistrado, o relator deixou de lado alvos que deveriam ser prioritários. “Não tenha promovido sequer a quebra de sigilos de milicianos ou integrantes das facções que controlam territórios no Rio de Janeiro”, disse Gilmar, referindo-se à ausência de investigações sobre operações policiais fluminenses.
Na avaliação do decano, a comissão parlamentar incorreu em “desvio ou de abuso” em sua atuação, conduta incompatível com o que determina a Constituição.
Gilmar cobra apuração por abuso de autoridade
O ministro foi além das críticas e pediu que os excessos da CPI sejam formalmente investigados. “Enfatizo, ainda, senhores ministros, que excessos desse quilate podem caracterizar abuso de autoridade e devem ser rigorosamente apurados pela Procuradoria-Geral da República”, completou.
Ainda na manhã de terça-feira, antes da sessão, Gilmar Mendes já havia se manifestado contra o relatório de indiciamento, sustentando que o pedido não possui “base legal”. A posição reiterada do decano evidencia o grau de tensão institucional gerada pelo documento da CPI do Crime Organizado.