Após obra de R$ 28 bilhões no Ceará, empresa alega crise ‘insuperável’ e Justiça autoriza alcançar bens da matriz na Coreia do Sul
A gigante asiática Posco Engenharia e Construção do Brasil, subsidiária da sul-coreana Posco, entrou com pedido de autofalência na Justiça do Ceará, movimento que deve provocar impactos relevantes no setor de infraestrutura e siderurgia. Segundo credores, a empresa encerra sua passagem pelo país com um passivo que pode chegar a R$ 1 bilhão, conforme revelou o UOL.
A decisão judicial que analisa o caso já abriu caminho para que cobranças avancem sobre bens da matriz na Coreia do Sul, diante da suspeita de esvaziamento patrimonial no Brasil.
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Obra bilionária e dívidas deixadas para trás
Criada exclusivamente para tocar a construção da Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP), a Posco Brasil assinou contrato de US$ 5,5 bilhões — cerca de R$ 28 bilhões em valores atualizados — para erguer uma das maiores obras privadas já realizadas no Ceará.
Embora o valor tenha sido integralmente pago à construtora, o encerramento das atividades em 2016 não resultou na quitação de fornecedores, trabalhadores e tributos. Desde março de 2023, a usina pertence à ArcelorMittal, que adquiriu o ativo por US$ 2,2 bilhões. O passivo deixado pela construtora, no entanto, permanece sem solução.
Autofalência e a suspensão das cobranças
Em setembro de 2025, a Posco recorreu ao Judiciário cearense alegando uma “crise insanável” para justificar a autofalência. Na prática, o pedido interrompe execuções individuais e concentra todas as ações em um único juízo.
A empresa reconheceu oficialmente R$ 644 milhões em dívidas, distribuídas da seguinte forma:
- Trabalhista: R$ 573,5 milhões
- Tributária: R$ 33,7 milhões
- Intercompany: R$ 26,6 milhões
- Quirografária: R$ 10,4 milhões
Esses valores, porém, são contestados. A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e o advogado Frederico Costa afirmam que o passivo tributário real pode ultrapassar R$ 200 milhões, indicando subestimação nas informações prestadas à Justiça.
Patrimônio declarado revolta credores
O que mais gerou indignação foi a relação de ativos apresentada para pagamento das dívidas bilionárias. Segundo os autos, a Posco declarou possuir apenas:
- Um terreno em São Gonçalo do Amarante (CE) avaliado em R$ 1,1 milhão
- Um Ford Fusion 2015/2016, sem funcionamento e com 11 multas
- R$ 109,80 em conta-corrente
- R$ 4,8 mil em aplicações financeiras
“A empresa pegou o dinheiro da obra, remeteu recursos para fora e deixou toda uma cadeia produtiva prejudicada. Empresas no Ceará fecharam por causa disso”, afirmou Frederico Costa, sócio da Campelo Costa Sociedade de Advogados, que diz ter R$ 567 milhões a receber.
Suspeita de fraude e avanço sobre a matriz
Credores sustentam que a autofalência seria uma manobra fraudulenta, uma vez que a Posco Brasil operava com um único negócio e teria esvaziado deliberadamente seus ativos no país após a conclusão da obra.
Uma decisão relevante já foi obtida em primeira instância: a desconsideração da personalidade jurídica, permitindo que as cobranças atinjam a matriz sul-coreana e holdings internacionais do grupo, com possibilidade de execução em países onde a Posco mantém operações.
A versão da defesa e da administração judicial
A administradora judicial Farias e Lucena Serviços Administrativos informou que a crise decorreu de fatores externos, como a recessão brasileira entre 2014 e 2016, a pandemia e a entrada predatória de aço chinês no mercado nacional.
Até o momento, a perícia inicial não identificou atos fraudulentos diretos praticados pelos administradores, embora novas investigações não estejam descartadas.
Segundo a petição apresentada, a não implementação da segunda fase da CSP — que previa dobrar a capacidade de produção de três para seis milhões de toneladas anuais de placas de aço — tornou inviável a continuidade do negócio.
A Posco afirma ainda que não possui mais sede ativa no Brasil e que, sem novos contratos ou recursos, a falência seria o único caminho possível.
“A decretação da falência da requerente é, portanto, medida que se mostra de rigor”, diz o documento, ao destacar a inexistência de atividade empresarial e a insuficiência total de ativos para saldar o endividamento.
Os caras remetem bilhões para o exterior em forma de lucro ou seja lá como for…….a receita federal nada fala..não vê e não encherga e agora estão atrás do PIX de cinco mil do povão…isso é Brasilllllllll