Política

Flávio Bolsonaro deve crescer nas pesquisas após restrição de Moraes, aposta Valdemar Costa Neto

Presidente do PL aposta que decisão de Moraes de proibir visitas de Flávio Bolsonaro ao pai fortalecerá o senador nas pesquisas eleitorais

Presidente do PL vê decisão do ministro Alexandre de Moraes como combustível para a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro

A proibição imposta pelo ministro ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro por 90 dias pode ter um efeito contrário ao pretendido. Pelo menos é nisso que aposta o presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, que enxerga na medida um fator de impulsionamento político para o pré-candidato.

“Isso só vai fazer o Flávio subir ainda mais nas pesquisas de intenção de voto”, disse ao Metrópoles nesta segunda-feira, 13.

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Impedimento familiar até o fim do primeiro turno

Na prática, a determinação judicial impede o senador de ter contato presencial com o pai até o encerramento do primeiro turno das presidenciais. A medida atinge diretamente o vínculo familiar, algo que gerou forte reação entre aliados do ex-presidente.

Carta durante a prisão domiciliar motivou o despacho

O caso teve origem em uma carta redigida por Jair Bolsonaro durante sua . O ministro Moraes determinou que a defesa do ex-presidente esclareça, no prazo de 48 horas, se ele sabia que o documento seria publicado nas redes sociais de Flávio Bolsonaro.

Além disso, as visitas do senador ao pai foram suspensas, e o caso foi encaminhado ao procurador-geral eleitoral para de eventual prática de propaganda eleitoral antecipada.

Segundo o entendimento do magistrado, Flávio teria se valido do benefício de visitação para obter o documento com a finalidade exclusiva de divulgá-lo em plataformas digitais, o que configuraria uma burla à proibição imposta a Bolsonaro de utilizar redes sociais, direta ou indiretamente.

Senador Marinho denuncia dois pesos e duas medidas

A reação política à decisão de Moraes foi contundente. O parlamentar Marinho traçou um paralelo com o tratamento dispensado ao presidente quando esteve preso em 2018, questionando a coerência da medida.

“O contraste é evidente. Preso em 2018, Lula recebeu centenas de visitas e manteve interlocução política com seus aliados, inclusive Fernando Haddad. Durante a campanha eleitoral, manifestou-se publicamente por cartas, chegando a pedir votos para o candidato que o substituiu. Ainda preso, concedeu entrevistas à imprensa em 2019, e suas declarações repercutiram amplamente nas redes sociais”, disse Marinho sobre a decisão de Moraes.

“Não reivindicamos privilégios, mas igualdade perante a lei. Punir um filho e impedir o contato familiar porque ele tornou pública uma mensagem do pai representa uma grave tentativa de silenciamento”, acrescentou o parlamentar, que concluiu.

“Calar um preso dessa maneira é inconstitucional e representa a retomada de práticas próprias de regimes autoritários. Calar Bolsonaro é tentar calar a expressiva parcela da população brasileira que ele representa”.

Efeito político pode ser o oposto ao esperado

Ao apostar no crescimento de Flávio Bolsonaro nas pesquisas, Valdemar Costa Neto sinaliza que o PL pretende transformar a restrição judicial em argumento de campanha. A avaliação dentro do partido é de que decisões percebidas como desproporcionais tendem a gerar solidariedade do eleitorado e fortalecer politicamente quem é atingido por elas.


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