Pré-candidato à Presidência, senador acusa governo de conduzir relações internacionais com viés ideológico e defende presença em audiência nos Estados Unidos
A participação do senador Flávio Bolsonaro (PL) na audiência pública promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos voltou a acirrar o debate sobre a condução da política externa brasileira. A reunião tratou das tarifas norte-americanas aplicadas a produtos do Brasil — e o parlamentar fez questão de marcar presença enquanto, segundo ele, o governo federal se manteve ausente.
Críticas diretas a Lula durante transmissão ao vivo
Em live realizada no YouTube nesta quarta-feira, 8, o senador e pré-candidato à Presidência da República não poupou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para Flávio Bolsonaro, o petista adota uma postura de submissão diante de Pequim ao mesmo tempo em que hostiliza Washington.
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“Todo mundo está vendo o vexame que o Lula está passando na área internacional. A todo momento ele lambe as botas da China e taca pedra nos Estados Unidos”, declarou o parlamentar. Na avaliação dele, a atuação do governo nas relações internacionais virou motivo de constrangimento.
Postura ideológica versus pragmatismo econômico
O senador classificou a conduta do presidente como “antiamericana” e movida por viés ideológico. Na visão de Flávio, esse posicionamento prejudica o Brasil ao ignorar a necessidade de manter relações pragmáticas com o governo dos EUA.
Para ele, qualquer chefe de Estado deve buscar boas relações simultâneas tanto com Washington quanto com Pequim, priorizando sempre os interesses econômicos nacionais. A China e os Estados Unidos são os dois maiores parceiros comerciais do país, o que torna a equidistância diplomática uma questão estratégica, segundo o parlamentar.
Ausência do governo brasileiro na audiência sobre tarifas
Ao justificar sua ida aos EUA, Flávio Bolsonaro destacou que o governo de Lula optou por não enviar representantes à audiência sobre as tarifas norte-americanas aplicadas a produtos brasileiros. O senador usou esse fato como argumento para reforçar a tese de omissão do Planalto.
“Enquanto eu estou aqui defendendo o Brasil, o Lula não defende o Brasil”, finalizou durante a transmissão.
A viagem do senador gerou reações do Planalto, que subiu o tom e chegou a atribuir a Flávio Bolsonaro parte da responsabilidade pela crise envolvendo o tarifaço dos EUA.