Empate eleitoral muda clima no Planalto e acelera articulações políticas
A recente ascensão de Flávio Bolsonaro nas pesquisas eleitorais alterou o ambiente político em Brasília e gerou apreensão no Palácio do Planalto. Um levantamento da Quaest mostrou empate entre o senador do PL e o presidente Lula, ambos com 41% das intenções de voto em um cenário de disputa presidencial.
Apesar de o resultado não ter surpreendido Lula, o clima de desânimo tomou conta do terceiro andar do Planalto, onde fica o gabinete presidencial. O sentimento ganhou força na terça-feira (10), quando o tracking diário da pesquisa indicou o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro à frente do petista.
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O avanço do senador também provocou efeitos em outros partidos. Diante do novo cenário, Gilberto Kassab, presidente do PSD, decidiu acelerar a definição sobre quem representará a legenda na disputa presidencial. Inicialmente, a ideia era adiar essa decisão até abril, mas a mudança no cenário eleitoral antecipou as conversas.
Nos bastidores do mercado financeiro, especialmente entre banqueiros da Faria Lima favoráveis ao governo, cresce a avaliação de que Lula poderia abrir mão da candidatura. Nesse caso, o presidente entregaria a disputa ao ministro Fernando Haddad, que passaria a liderar o campo petista.
Levantamento recente do Paraná Pesquisas reforça essa hipótese ao apontar Haddad como o nome do PT mais bem posicionado entre os possíveis substitutos do presidente.
Aliados avaliam que Lula não gostaria de encerrar sua trajetória política enfrentando uma derrota para o filho de seu principal adversário. Além disso, o presidente não possui um sucessor familiar que possa ser apontado como herdeiro direto de seu capital político.
Dentro do PSD, o nome que aparece com mais força para disputar a Presidência é o governador do Paraná, Ratinho Jr.. Interlocutores do partido afirmam que ele possui mais tempo de “janela” para se movimentar politicamente e construir uma candidatura competitiva.
Propostas populares acumulam atraso no Senado
Enquanto o cenário eleitoral se movimenta, dezenas de iniciativas populares seguem sem análise no Senado. Atualmente, 77 ideias legislativas apresentadas por cidadãos no portal e-Cidadania alcançaram o mínimo de 20 mil assinaturas, requisito necessário para que sejam transformadas em projetos de lei.
Mesmo assim, essas propostas ainda aguardam avaliação da Comissão de Direitos Humanos, etapa prevista pela legislação antes de avançarem no processo legislativo.
Entre as sugestões está a proposta de “Fixar novas regras tributárias em relação a compras feitas em e-commerce internacional”, que permanece sem análise há quase dois anos e meio.
Outras ideias enfrentam espera ainda maior. Uma proposta que sugere o fim de cursos de ensino a distância na área da Saúde, por exemplo, está parada desde 2018, sem avanço nas discussões.
Também não avançou a iniciativa que propõe reduzir o número de deputados federais de 513 para 250. A proposta alcançou o número mínimo de assinaturas em 2021, chegou a ter cinco relatores diferentes, mas ainda não registrou progresso efetivo.
PSD aposta em candidatura própria e menor rejeição
Diante da polarização política, Gilberto Kassab tenta impedir que o PSD seja esmagado pelo confronto direto entre os principais blocos políticos. O dirigente prefere definir o projeto do partido como “melhor via”, evitando o rótulo de “terceira via”.
Mesmo com nomes considerados de baixa competitividade eleitoral, a estratégia da legenda é manter uma candidatura própria no primeiro turno e valorizar seu peso político em uma eventual negociação de apoio no segundo turno.
Crescimento de Flávio Bolsonaro reduz vantagem de Lula
Os dados das pesquisas mostram uma mudança rápida no cenário eleitoral. Em agosto do ano passado, levantamento da Quaest indicava Lula 16 pontos à frente de Flávio Bolsonaro. Em dezembro, a diferença caiu para 10 pontos, até chegar ao empate atual.
Esse avanço acelerado sugere que, mantendo o ritmo de crescimento, o senador poderá aparecer à frente do petista já nas próximas rodadas de pesquisa.
Um episódio recente reforçou a leitura de que o presidente acompanha o movimento com preocupação. Lula decidiu cancelar sua presença na posse de José Antonio Kast como presidente do Chile após saber que o novo mandatário também convidou Flávio Bolsonaro para a cerimônia.
Nos bastidores, o gesto foi interpretado como sinal de irritação do presidente diante da projeção internacional do senador.
Popularidade do governo recua e Congresso debate novas convocações
Pesquisas de opinião também apontam queda na aprovação do governo. Entre beneficiários do Bolsa Família, o índice de aprovação de Lula caiu de 65% em novembro de 2025 para 57% em março de 2025.
Entre brasileiros que não recebem o benefício, o cenário é mais desfavorável: a reprovação chega a 55%, segundo levantamento Genial/Quaest.
No Congresso, outro assunto movimenta a agenda política. A CPMI do INSS vota nesta quarta-feira (12) a convocação de Roberta Luchsinger, apontada como integrante do núcleo político do esquema conhecido como Careca do INSS.
Segundo relatos, ela utilizaria o nome de Lulinha, filho do presidente, para exercer influência em negociações.
No meio desse cenário de disputas eleitorais, queda de popularidade e investigações parlamentares, cresce a percepção de que as incertezas não estão apenas entre os eleitores. Dentro do próprio Planalto, também há dúvidas sobre os próximos passos políticos.