Senador reagiu à fala do presidente sobre a decisão dos EUA de classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas
A decisão do Departamento de Estado norte-americano de enquadrar o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas desencadeou um embate político entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O confronto verbal ganhou proporções nesta sexta-feira (29), com troca de acusações sobre a postura do governo federal diante das facções.
A medida dos Estados Unidos que gerou o atrito
Na quinta-feira (28), o governo dos Estados Unidos oficializou a classificação das duas maiores facções criminosas do Brasil como “terroristas globais especialmente designados” e “organizações terroristas estrangeiras”. Segundo Washington, PCC e CV figuram entre “as organizações criminosas mais violentas do Brasil”, responsáveis por comandar “milhares de integrantes” e executar “ataques brutais” contra policiais, autoridades públicas e civis.
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Lula manifesta tristeza e preocupação com intervenção
Ao participar de um evento da Petrobras em Sergipe no dia 29, Lula se manifestou publicamente sobre a medida norte-americana. O presidente declarou estar “triste” e levantou preocupações sobre possíveis consequências para a soberania brasileira.
“Estou muito triste hoje com a notícia de que o secretário dos Estados Unidos da América do Norte, um tal de Marco Rubio, disse que os nossos criminosos são terroristas e que os americanos podem fazer intervenção”, disse o petista.
Na mesma ocasião, Lula também reconheceu a ameaça representada pelas facções ao cotidiano da população brasileira:
“Esse tal de Comando Vermelho e esse tal de PCC são terroristas para as comunidades brasileiras […] Incomodam famílias, bairros, cidades. Roubam tudo. São terroristas e nós vamos combatê-los aqui dentro. Não são os terroristas que o Trump quer”, afirmou o presidente.
Reação dura de Flávio Bolsonaro
O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro não poupou críticas ao discurso presidencial. Em vídeo publicado no X (antigo Twitter), ele questionou a escolha de palavras de Lula.
“Vocês já viram um presidente da República tratar integrantes de facções criminosas como o PCC e o Comando Vermelho como nossos criminosos?”, perguntou Flávio.
Soberania em disputa
Após reproduzir o trecho da fala de Lula no evento da Petrobras, o senador devolveu com firmeza:
“Nossos criminosos, não, Lula! Seus criminosos! A soberania que a gente defende é a soberania do povo brasileiro. É a soberania das 50 milhões de pessoas que vivem sob o domínio desses narcoterroristas. Um governo paralelo, impondo violência, covardia.”
Acusação direta ao presidente
Flávio Bolsonaro também direcionou uma crítica contundente à postura do governo diante do crime organizado, questionando as prioridades de Lula:
“O povo brasileiro não aguenta mais viver com medo por causa desse tipo de gente. E você escolhe defender esses marginais, em vez de defender as vítimas deles? Lula, o seu tempo está acabando, e o seu governo também.”
Oposição intensifica críticas
A declaração de Lula não ficou restrita ao embate com Flávio Bolsonaro. Outros políticos da oposição também classificaram como branda a posição do governo no combate às facções criminosas, ampliando o debate sobre segurança pública e soberania nacional diante da pressão internacional.