Presidente do TST classifica juízes entre ‘azuis‘ e ‘vermelhos‘ e gera escândalo institucional
A conferência de encerramento do 22º Conamat, realizada nesta sexta-feira (1º), em Brasília, foi palco de uma declaração que abalou os alicerces institucionais do Poder Judiciário. O presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, dividiu abertamente os magistrados da Justiça do Trabalho em dois grupos: os “azuis“, que segundo ele seriam movidos por “interesses”, e os “vermelhos“, grupo no qual se incluiu, que estariam comprometidos com uma “causa”.
Confissão em vez de lapso
Longe de ser um deslize retórico, a fala representou uma confissão deliberada. Mello Filho adotou, sem constrangimento, a militância ideológica como norte para o exercício da jurisdição. Colegas de magistratura reagiram definindo a postura como “grotesca”, já que ela substitui a imparcialidade — fundamento essencial do sistema de justiça — por engajamento partidário travestido de missão social.
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O discurso foi proferido em tom visivelmente irritado e nervoso. Ao declarar, sem rodeios, “nós, vermelhos, temos causa”, o presidente do TST explicitou uma lógica segundo a qual a jurisdição não seria aplicação neutra da lei, mas sim um instrumento de “justiçamento” social.
Contexto político das declarações
O momento escolhido para a manifestação não foi acidental. Autoridades identificadas com o campo da esquerda vinham demonstrando irritação diante de duas derrotas políticas significativas para o governo Lula (PT): a rejeição da indicação de Jorge Messias, conhecido como “Bessias”, ao STF, e a derrubada do veto presidencial à Lei da Dosimetria.
Esse cenário de tensão política parece ter funcionado como combustível para o tom combativo adotado por Mello Filho durante o evento.
Elogios explícitos ao ativismo judicial
Em nenhum momento do discurso houve menção à Justiça em sentido estrito, à imparcialidade ou ao dever ético e legal de julgar sem levar em conta preferências ideológicas. No lugar dessas referências, o presidente do tribunal empregou termos carregados como “causa” e “missão” — vocabulário característico do ativismo político, não da função judicial.
Imparcialidade declarada dispensável
A segmentação explícita — Azuis vs. Vermelhos — configura, por si só, um escândalo institucional de grandes proporções. A toga não comporta cores partidárias. Quando o presidente de um tribunal superior assume abertamente que sua atuação é guiada por uma “causa” ideológica, a credibilidade não apenas do TST, mas de todo o Poder Judiciário, sofre erosão. O juiz se converte em militante de toga, e o processo judicial passa a funcionar como extensão do debate político.
Conamat vira palco de performance ideológica
O Conamat, concebido para ser o principal fórum científico e deliberativo da Justiça do Trabalho, serviu mais uma vez como vitrine para esse tipo de posicionamento. Num momento em que o País discute seriamente temas como sustentabilidade, inteligência artificial e proteção ao trabalho, parcela da cúpula da magistratura trabalhista pareceu mais empenhada em reafirmar sua identidade de esquerda do que em aplicar a lei com neutralidade.
Sintoma de captura ideológica
A declaração de Mello Filho transcende o mero desabafo. Ela é sintoma de um problema estrutural: a captura ideológica de setores do Judiciário brasileiro. Ao se declarar “vermelho” e orgulhoso, o presidente do TST não apenas feriu o princípio da imparcialidade — ele o declarou dispensável.
Esse gesto legitima a desconfiança crescente da sociedade em relação a setores de um Judiciário que, em vez de aplicar a lei igualmente a todos, escolhe lados e abraça causas.