Denúncias anônimas apontam participação de presos de alta hierarquia da facção e de ex-parlamentar do PDT-SP no atentado contra policial militar em São Caetano do Sul
Um esquema articulado por integrantes da cúpula do PCC (Primeiro Comando da Capital) para eliminar o tenente da Rota Ronickson Pimentel dos Santos, de 39 anos, envolveria também um ex-deputado estadual filiado ao PDT-SP. É o que indicam denúncias anônimas recebidas pela Polícia Civil e reveladas pela coluna do jornalista Josimar Jozino, no portal UOL, nesta sexta-feira (24).
O oficial foi alvejado na cabeça no dia 27 de junho, em São Caetano do Sul, região do ABC Paulista.
Receba no WhatsApp as principais notícias do dia em primeira mão
Como teria sido planejado o atentado
De acordo com os relatos recebidos pelas autoridades, a determinação para matar o tenente teria sido emitida por um detento do CDP-4 de Pinheiros. Esse preso manteria ligação direta com um membro da alta liderança do PCC encarcerado em presídio federal e com outro que cumpre pena na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau.
As denúncias indicam ainda que o ex-parlamentar teria se reunido com comparsas na favela de Heliópolis para estruturar o plano de ataque.
Transferências de suspeitos para presídios dominados pela facção
Três homens apontados como envolvidos no crime já foram transferidos para unidades prisionais sob influência do PCC:
- Carlos Roberto Ferreira, 52, e Marcos Vinicius Dias Machado, 40 — encaminhados à Penitenciária 1 de Avaré (SP), considerada um dos maiores redutos da organização criminosa no sistema penitenciário;
- Luiz Henrique de Oliveira Nascimento, 34 — removido para o CDP 1 do Belém, na zona leste da capital paulista.
As remoções foram ordenadas em 17 de julho pelo juiz José Fabiano Camboim de Lima, da Vara das Execuções Criminais da Capital. A decisão veio após três denúncias anônimas alertarem sobre possíveis tentativas de resgate dos presos por parte do PCC.
Foragido com condenação por homicídio
Um quarto suspeito permanece foragido. Trata-se de Hércules da Costa Siqueira, 45 anos, conhecido como “Peruca”, que já carrega uma condenação de 22 anos por homicídio. A Secretaria de Segurança Pública (SSP) oferece recompensa de R$ 50 mil a quem fornecer informações que levem à sua localização. O nome de Siqueira também foi incluído na lista de procurados da Interpol.
Envolvimento do ex-deputado ainda não foi comprovado
Até o momento, nenhum dos fatos citados contra o ex-deputado foi confirmado. As investigações continuam em andamento para verificar a veracidade das denúncias e identificar a totalidade dos envolvidos no atentado contra o tenente da Rota.