Facções brasileiras passam a integrar a mesma lista que reúne grupos jihadistas, milícias armadas e cartéis internacionais
As duas maiores facções criminosas do Brasil — o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) — foram oficialmente enquadradas como organizações terroristas pelo governo dos Estados Unidos. O anúncio foi feito nesta quinta-feira, 28, pelo Departamento de Estado norte-americano.
Facções brasileiras ao lado de Al-Qaeda, Hamas e Estado Islâmico
A decisão coloca o PCC e o CV na mesma estrutura de classificação aplicada a grupos como Hamas, Hezbollah, Estado Islâmico, Al-Qaeda e Boko Haram. Trata-se de uma lista que abrange organizações de perfis variados: guerrilhas, milícias político-militares, movimentos jihadistas e cartéis envolvidos com narcotráfico.
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O Hamas é protagonista do conflito entre Israel e Palestina. O Hezbollah é um grupo político-militar sediado no Líbano. Já o Estado Islâmico ficou mundialmente conhecido por atentados e pela ocupação de territórios no Oriente Médio. A Al-Qaeda, por sua vez, está ligada aos ataques de 11 de setembro de 2001 contra os EUA, enquanto o Boko Haram opera sobretudo na Nigéria.
Comunicado aponta atuação violenta e transnacional
No comunicado oficial, o secretário de Estado descreveu PCC e CV como “duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil”. “Juntos, eles comandam milhares de integrantes”, declarou. “E orquestraram ataques brutais contra policiais brasileiros, autoridades públicas e civis.”
O documento ressaltou ainda que o alcance das facções vai muito além do território nacional. “Sua influência e redes ilícitas se estendem muito além das fronteiras do Brasil, por toda a nossa região e até dentro do nosso país”, afirma o texto divulgado por Washington.
Hoje, tanto o PCC quanto o CV operam redes logísticas que atravessam fronteiras, o que reforçou a decisão norte-americana de tratá-los como ameaças de caráter internacional.
Medida integra estratégia de Trump contra o narcotráfico
Segundo Marco Rubio, a classificação está alinhada à política do governo Donald Trump de enfrentamento ao narcotráfico e às organizações criminosas globais. “Trump continuará a usar todas as ferramentas disponíveis para proteger nossa nação e nossos interesses de segurança nacional”, afirmou. “Mantendo drogas ilícitas fora de nossas ruas e interrompendo os fluxos de receita que financiam narcoterroristas violentos.”
Precedentes recentes na lista norte-americana
A inclusão do PCC e do CV segue uma tendência do governo norte-americano de ampliar o uso dessa classificação para abranger cartéis e facções transnacionais ligados ao tráfico de drogas e à violência armada. Em fevereiro de 2025, os EUA já haviam enquadrado o Cartel de Sinaloa, do México; o Tren de Aragua, originado na Venezuela; e a Mara Salvatrucha (MS-13), facção criada por salvadorenhos e associada principalmente a El Salvador e aos EUA.