Medida atinge dois cidadãos brasileiros e quatro empresas acusados de movimentar mais de US$ 30 milhões do tráfico de drogas pelo sistema financeiro americano
Mais de US$ 30 milhões obtidos com atividades criminosas foram lavados em diversas cidades dos Estados Unidos por uma rede que operava a serviço do PCC (Primeiro Comando da Capital). As autoridades americanas identificaram que parte desses recursos chegou ao Brasil por meio de criptomoedas, alimentando financeiramente as operações da facção.
Quem são os alvos das sanções
Na quarta-feira (1º), o Departamento do Tesouro americano oficializou sanções contra dois brasileiros, três empresas sediadas em São Paulo e uma empresa localizada em Portugal. O Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros, responsável por sanções econômicas no país, detalhou que os envolvidos integravam um esquema internacional de lavagem de dinheiro diretamente ligado ao grupo criminoso.
Receba no WhatsApp as principais notícias do dia em primeira mão
Conforme o Tesouro americano, os dois indivíduos sancionados funcionavam como elos entre membros do PCC baseados na Flórida e traficantes internacionais de drogas. Eles auxiliavam na logística da organização e intermediavam a coleta de grandes quantias em dinheiro vivo.
Como funcionava o esquema
A rede utilizava o sistema financeiro americano para processar os recursos provenientes do tráfico de drogas antes de remetê-los ao Brasil. As empresas sancionadas, segundo o governo dos EUA, serviam para ocultar a origem ilícita dos valores e viabilizar a lavagem de dinheiro.
O uso de criptomoedas como canal de transferência ao Brasil foi apontado como uma das estratégias da organização para escapar do rastreamento financeiro convencional e garantir o financiamento das atividades do PCC.
Consequências práticas das sanções
Todos os bens e ativos dos sancionados que estejam em território americano ou sob controle de cidadãos e empresas dos Estados Unidos foram bloqueados. Pessoas e instituições financeiras americanas estão proibidas de manter qualquer tipo de negócio com os alvos.
Bancos estrangeiros que insistirem em conduzir operações relevantes com os envolvidos também poderão enfrentar restrições impostas pelo governo americano.
PCC classificado como a maior organização criminosa do hemisfério ocidental
A ação desta quarta-feira ocorre pouco mais de um mês depois de o governo dos EUA ter incluído o PCC na lista de organizações terroristas estrangeiras. Ao divulgar as novas sanções, o Tesouro descreveu a facção como a maior organização criminosa transnacional do hemisfério ocidental, com operações que se expandiram para países como Reino Unido, Turquia e Japão.
De acordo com o órgão, o PCC representa uma ameaça crescente à segurança nacional americana, mantendo operadores em solo dos Estados Unidos — sobretudo na Flórida — dedicados a lavar dinheiro do tráfico de drogas e a financiar outras práticas criminosas.
Posicionamento do governo americano
O subsecretário do Tesouro para Terrorismo e Inteligência Financeira, Gene Lange, reforçou o objetivo de conter o avanço de organizações criminosas dentro dos EUA. “Esta designação representa mais um passo do governo dos Estados Unidos para enfrentar a crescente presença das atividades ilícitas de geração de receita do PCC dentro de nossas fronteiras”, disse.
Gene Lange também ressaltou a postura firme do país: “O crime organizado no hemisfério ocidental não pode estabelecer operações em solo americano que contribuam para a criminalidade e a falta de respeito à lei”, acrescentou.