Jornal aponta riscos institucionais e questiona concentração de poder no STF
Em editorial publicado neste sábado (4), o jornal O Estado de S. Paulo fez críticas à condução do chamado Inquérito das Fake News no Supremo Tribunal Federal (STF), classificando o processo como problemático sob o ponto de vista institucional.
O texto menciona o ministro Alexandre de Moraes e afirma que o andamento da investigação não deveria depender dos “humores do inquisidor”, defendendo que decisões sejam baseadas em critérios jurídicos objetivos.
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Declaração de Fachin motivou análise
O editorial foi publicado após declaração do presidente do STF, Edson Fachin, que indicou a possibilidade de encerramento do inquérito por parte de Moraes.
A manifestação reacendeu o debate sobre a duração e os limites da investigação, que se tornou um dos temas mais controversos envolvendo o Judiciário nos últimos anos.
Inquérito foi aberto em 2019 sem provocação do MP
O processo, formalmente denominado Inquérito 4.781, foi instaurado em 2019 pelo então presidente do STF, Dias Toffoli.
Segundo o editorial, a abertura ocorreu sem provocação da Procuradoria-Geral da República e teve relatoria atribuída diretamente a Alexandre de Moraes, sem sorteio.
Ampliação do escopo é alvo de críticas
Ao longo dos anos, diferentes episódios passaram a integrar o inquérito, como questões relacionadas ao cartão de vacinação do ex-presidente Jair Bolsonaro, decisões envolvendo conteúdos jornalísticos e medidas contra plataformas digitais e influenciadores.
Para o jornal, essa ampliação teria transformado o procedimento em uma investigação extensa, sem prazo definido e com objeto considerado difuso.
“O País pode até não viver uma ‘ditadura do Judiciário’, mas está demonstravelmente muito mais próximo dela do que estava há sete anos.”
Jornal aponta acúmulo de funções pelo STF
O editorial também critica o que descreve como concentração de funções no Supremo, sugerindo que a Corte atuaria simultaneamente como investigadora, acusadora e julgadora dentro do mesmo processo.
O texto faz uma comparação com a Operação Lava Jato e afirma que o STF teria assumido um papel de “juízo universal da democracia”.
“Os ministros justificam suas medidas de exceção para defender a Corte de ameaças excepcionais”, diz o editorial. “Mas hoje quem mais ameaça a integridade do STF são os próprios ministros. Cada vez mais o Supremo se afasta a passos largos da posição autoproclamada de guardião da democracia brasileira e caminha para se tornar o seu principal inimigo.”
Debate sobre limites institucionais
A publicação conclui que o inquérito teria sido estruturado como instrumento de concentração de poder, com potencial para normalizar medidas consideradas excepcionais.
O tema segue gerando debate entre juristas, políticos e analistas sobre os limites de atuação do Judiciário e o equilíbrio entre poderes no Brasil.