Esquema ligado à ex-nora de Lula queria vender materiais para autistas na rede pública, aponta MPF

MPF diz que esquema ligado a ex-nora de Lula planejava vender materiais para autistas e buscava apoio no MEC.
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Investigações mostram expansão planejada de suposto esquema de superfaturamento para itens destinados a alunos com TEA

O Ministério Público Federal (MPF) revelou, nesta sexta-feira (5/12), que o suposto esquema de que atuava desviando recursos da em municípios do interior de planejava expandir suas operações para comercializar materiais voltados a com Transtorno do Espectro Autista (TEA). A articulação aparece na denúncia apresentada no âmbito da Operação Coffee Break, da Polícia Federal.

Segundo o MPF, o grupo investigado mantinha relações com Carla Ariane Trindade, ex-nora do presidente Luiz Inácio da Silva, e com Kalil Bittar, ex-sócio de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Carla Ariane foi casada com Marcos Cláudio Lula da Silva, outro filho do presidente.

Grupo planejava oferecer “salas especiais” para inclusão de alunos autistas

Documentos anexados à denúncia mostram integrantes do esquema discutindo a criação e comercialização de “salas especiais” destinadas a crianças neurodivergentes, incluindo itens como fones de ouvido sensoriais e mordedores. A proposta teria sido apresentada pelo doleiro Eduardo Maculan, em fevereiro deste ano, ao empresário André Mariano, apontado como líder do grupo.

Para Maculan, o nicho voltado ao TEA era uma oportunidade de ampliação do negócio. Nas conversas citadas pelo MPF, Mariano demonstra interesse em levar o projeto “para cima”, mencionando que teria “bons caminhos” dentro do Ministério da Educação (MEC), comandado por Camilo Santana (PT).

Segundo a PF, Mariano pagava propina a pessoas com influência em Brasília para viabilizar projetos que favorecessem sua empresa. Carla Ariane e Kalil Bittar atuariam como intermediários, facilitando acessos em gabinetes estratégicos.

Mensagens mostram ambição de escalar o esquema ao nível federal

Em uma das mensagens incluídas na denúncia, Mariano explica a Maculan como funcionaria a ampliação:

“Dentro das prefeituras, a escala é pequena. Então, você sua a camisa, faz um mega investimento, com salas e tudo mais, e obtém uma fração pequena de atendimento. Muitas vezes, eu acho que o custo não retorna. O que pode acontecer é levar para cima, para o federal. Porque o MEC, uma vez que abraça um projeto, pulveriza para o Brasil inteiro. Então você sai do varejo e vai para o atacado, entende? E a gente tem bons caminhos ali.”

O que dizem as defesas

A defesa de Kalil Bittar, representada pelo advogado Roberto Bertholdo, nega que ele tenha recebido qualquer tipo de “mesada” e afirma que sua relação com Mariano limitou-se à prestação de serviços. Kalil é irmão de Fernando Bittar, um dos proprietários do sítio de Atibaia, caso investigado na Lava Jato.

Já os advogados de André MarianoSilas Gonçalves, Matheus Bottene e Lemuel Zem — afirmam que ele não cometeu os crimes apontados pelo MPF e que não integra nem lidera organização criminosa. Afirmam ainda que as explicações detalhadas serão apresentadas exclusivamente nos autos, em respeito ao sigilo e à proteção da intimidade dos envolvidos.

Os demais citados não foram encontrados pela reportagem do Metrópoles.


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