Opinião

Dois rivais de Lula na mira de Moraes a seis meses da eleição: coincidência ou padrão?

Zema se torna o segundo rival de Lula a ser alvo de Moraes no STF a menos de seis meses da eleição presidencial de 2026

Zema se torna o segundo rival de Lula a ser alvo de Moraes no STF 

Existe uma palavra que o vocabulário político brasileiro teima em ignorar: padrão. Quando um fato se repete uma vez, é episódio. Quando se repete duas vezes, na mesma direção, contra alvos do mesmo campo, a menos de seis meses de uma eleição, é padrão. E padrões merecem ser nomeados.

Quando o Judiciário escolhe seus alvos eleitorais, quem sobra para disputar o voto?

, do Novo, pré-candidato à Presidência da República, está prestes a se tornar o segundo concorrente de Lula nas eleições de outubro de 2026 a virar alvo de ação no Supremo Tribunal Federal. O ministro Gilmar Mendes apresentou denúncia contra o ex-governador de Minas Gerais, e o caso agora depende da aceitação pelo ministro Alexandre de Moraes.

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O motivo? Uma postagem nas redes sociais, considerada “ataque” ao STF.

Agora compare.

Flávio , do PL, principal rival de Lula nas pesquisas eleitorais, já havia sido colocado sob investigação pelo mesmo Alexandre de Moraes. O motivo? Uma postagem nas redes sociais, considerada contra o presidente petista.

Dois de oposição. Dois inquéritos. O mesmo ministro relator. O mesmo gatilho: publicações em redes sociais. A mesma janela temporal: véspera de eleição presidencial.

Não é coincidência. É um padrão que deveria alarmar qualquer democrata, independentemente de preferência partidária.

E é aí que a história complica.

Caso sejam condenados — ainda que por uma turma do STF, órgão colegiado —, tanto Zema quanto Flávio Bolsonaro correm risco real de serem declarados inelegíveis. Isso mesmo: os dois candidatos que representam as maiores ameaças eleitorais ao projeto de de Lula podem ser alijados da disputa por decisão judicial, não pelo voto popular.

A pergunta que ninguém faz é simples: em que democracia séria do mundo o tribunal constitucional abre ações contra candidatos de oposição, por postagens em redes sociais, a menos de seis meses do pleito?

Mas há um detalhe que torna tudo ainda mais incômodo.

O ministro Alexandre de Moraes, que concentra poderes de investigação, instrução e julgamento em seus inquéritos, é o mesmo que já foi acusado de uso seletivo de suas prerrogativas. A mesma corte que deveria ser o árbitro imparcial da disputa democrática está se tornando protagonista ativa na definição de quem pode ou não disputar a eleição.

Flávio Bolsonaro rivaliza com Lula no topo das pesquisas. Zema ocupa a quarta colocação, a depender do cenário. Juntos, representam uma fatia expressiva do eleitorado de oposição. Retirá-los do jogo eleitoral por meio de decisões judiciais baseadas em postagens na internet não é defender a democracia — é amputá-la.

Quem não se incomoda com isso deveria se perguntar como reagiria se o mesmo expediente fosse usado contra candidatos do campo governista. Se um ministro do STF abrisse investigações contra aliados de Lula por tuítes críticos a seis meses da eleição, qual seria a manchete? “Golpe judicial”, provavelmente. E com razão.

A comparação com a Venezuela, embora desconfortável, não é gratuita. O regime de Maduro também usou mecanismos institucionais para tornar inelegíveis todos os adversários relevantes. Sobrou Edmundo González, cuja vitória acabou sendo roubada pelo ditador. Ninguém está dizendo que o Brasil é a Venezuela. Mas os instrumentos são parecidos. E as intenções, quando não são transparentes, merecem desconfiança.

O que está em jogo não é a honra do STF — que, aliás, deveria ser robusta o suficiente para suportar críticas públicas sem precisar de inquéritos criminais. O que está em jogo é algo mais fundamental: o direito do eleitor de escolher entre alternativas reais.

Democracia sem oposição viável não é democracia. É plebiscito com resultado previamente definido.


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Debate editorial

2 comentários

  1. A TEMPOS VENHO FALANDO NESSA HIPÓTESE.. A MAFIA DO PT AINDA VAI APRONTAR ALGO NESSE SENTIDO PARA ATRAPALHAR A ELEIÇÃO DOS CONCORRENTES E ELEGER NOVAMENTE O VÉIO BEBUM…
    ESPERO QUE NÃO, MAS, TUDO INDICA QUE ALGUMA COISA VAI ACONTECER.
    QUEM VIVER VERÁ.

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