Opinião

Diplomata brasileiro em Taiwan nega existência do país e expõe submissão de Brasília a Pequim

Embaixador brasileiro em Taipei declarou que Taiwan não é país e pertence à China, revelando alinhamento subserviente da política externa de Brasília a Pequim

Quando um embaixador vira porta-voz de potência estrangeira, o problema não é dele — é de quem dá as ordens

Existe um limite entre e subserviência. O embaixador Luís Cláudio Villafañe Gomes Santos, chefe do escritório brasileiro em Taipei, cruzou esse limite sem freio de mão.

Em entrevista a um jornal em chinês, Villafañe declarou que “não é reconhecido como país” e que o território pertence à República Popular da China. Assim, sem rodeios. Um diplomata brasileiro, acreditado em solo taiwanês, negando a existência do próprio país que o recebe.

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Chamaram de “deslize retórico”. Mas deslize é tropeçar numa palavra. Negar a soberania de um território com o qual o Brasil mantém relações há cinco décadas é outra coisa. É política deliberada.

Nunca, em toda a história diplomática brasileira, um representante em Taipei havia feito algo semelhante.

E é aí que a história complica.

Villafañe não é um novato perdido no organograma do . Tem carreira consolidada, reputação construída ao longo de décadas. É, como se diz no meio, um profissional que cumpre ordens. A pergunta que ninguém faz é simples: de quem vieram essas ordens?

Porque se um embaixador experiente abre a boca para repetir, quase literalmente, a posição oficial de Pequim sobre Taiwan, o problema não está no funcionário. Está no comando da brasileira.

Agora compare. Quando convém, Brasília fala em soberania, autodeterminação dos povos, respeito às diferenças. Quando o interlocutor é a China — maior parceiro comercial do Brasil —, esses princípios evaporam com uma rapidez constrangedora.

O mais preocupante não é a declaração em si. É a naturalidade com que o governo brasileiro parece aceitar que seus diplomatas atuem como porta-vozes da política externa chinesa. Sem nota de correção. Sem desmentido público. Sem qualquer sinal de que alguém em Brasília considerou o episódio um problema.

A sempre se orgulhou de sua tradição de equilíbrio e pragmatismo. Pragmatismo, porém, não é sinônimo de genuflexão. E equilíbrio pressupõe que você não penda inteiramente para um lado.

O que o episódio Villafañe revela não é um erro individual. É o retrato de uma política externa que confunde parceria comercial com alinhamento ideológico — e que, ao tentar agradar Pequim, acaba expondo o Brasil como um ator sem convicções próprias no tabuleiro internacional.

Diplomacia se faz com firmeza e ambiguidade calculada. Não com capitulação disfarçada de cortesia.

Quando um país precisa negar a realidade para manter um parceiro satisfeito, já não é parceria. É dependência. E dependência, na geopolítica, tem outro nome: submissão.


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