Justiça

Desembargador afastado por venda de sentenças recebeu R$ 2 milhões em salários e benefícios

Afastado do TJSP, desembargador Ivo de Almeida recebeu R$ 2 milhões em salários e benefícios em 12 meses, mesmo sob investigação.

TJSP: valores incluem indenizações de férias não tiradas em quase 40 anos de carreira; defesa nega irregularidades

O desembargador Ivo de Almeida, afastado do Tribunal de Justiça de (TJSP) desde junho de 2024 sob suspeita de envolvimento em venda de sentenças, recebeu aproximadamente R$ 2 milhões em salários e benefícios nos últimos 12 meses.

De acordo com registros oficiais, os vencimentos líquidos do magistrado ficaram acima de R$ 100 mil mensais em 2025. Os destaques foram R$ 198 mil em dezembro e R$ 164,3 mil em março. Nos demais meses, os valores oscilaram entre R$ 121 mil e R$ 151 mil.

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Grande parte do montante — cerca de R$ 1,3 milhão — corresponde a benefícios e indenizações, sendo mais de R$ 1 milhão classificados como vantagens eventuais. O contraste chama a atenção porque, no período em que estava em atividade (junho de 2023 a junho de 2024), Almeida havia recebido um total líquido de R$ 993,7 mil, ou seja, menos do que acumulou já afastado.

Operação Churrascada e acusações contra Almeida

O desembargador foi alvo da Operação Churrascada, deflagrada pela em junho de 2024, que cumpriu mandados em sua residência e no gabinete.

Em novembro, o inquérito resultou em indiciamento. Agora, cabe ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) avaliar se há provas suficientes para abertura de ação penal.

Segundo a investigação, ao menos quatro processos teriam sido negociados, incluindo a soltura de dois presos por roubo em 2015. Há ainda suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo um posto de combustíveis e uma incorporadora que teria movimentado R$ 8,4 milhões sem origem comprovada. O STJ informou que o caso segue sob segredo de justiça.

O que diz a defesa

O advogado Átila Machado sustenta que todos os valores recebidos são indenizações legais. Ele alega que, desde o ingresso de Almeida na magistratura em 1987, o desembargador nunca usufruiu férias, acumulando assim direito às compensações financeiras.

Machado também classificou as acusações como “um enorme estardalhaço” e destacou decisões recentes em favor de Almeida. Na semana passada, a Procuradoria-Geral da República pediu o arquivamento de investigação sobre rachadinha. Dias depois, o STJ encerrou apuração sobre suposto pagamento de R$ 1 milhão em habeas corpus a um aliado de Fernandinho Beira-Mar.

Para a defesa, tais arquivamentos “reestabelecem a verdade sobre a vida íntegra e proba do desembargador Ivo de Almeida”.


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