Pasta comandada por Alexandre Silveira não consegue custear nem despesas operacionais básicas e acumula déficit de 158 profissionais
Dois servidores. É esse o efetivo que hoje opera, dentro do Ministério de Minas e Energia, o Gás do Povo — programa do governo Luiz Inácio Lula da Silva destinado à distribuição de vouchers para compra de botijões de gás a famílias de baixa renda. A informação consta de documentos internos da pasta obtidos pela Folha de S.Paulo.
Programa atende 50 milhões de brasileiros com estrutura mínima
A dimensão da operação contrasta com a equipe disponível. Em média, 150 mil benefícios são liberados por dia, e o sistema exige a fiscalização indireta de cerca de 60 mil revendas autorizadas de GLP espalhadas pelo país. A iniciativa alcança aproximadamente 50 milhões de brasileiros.
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Desde outubro do ano passado, o ministério pediu a contratação de 16 novos servidores dedicados exclusivamente ao programa. O requerimento, porém, não avançou por falta de recursos orçamentários.
Despesas básicas sem cobertura financeira
A crise orçamentária vai além do Gás do Povo. Documentos internos revelam que a pasta comandada pelo ministro Alexandre Silveira já não consegue arcar sequer com despesas operacionais elementares. Contratos de terceirizados estão comprometidos, e obras simples de infraestrutura — como a construção de uma escada de incêndio na sede do ministério, em Brasília — permanecem paralisadas.
Alerta formal de Alexandre Silveira
Na semana passada, Silveira enviou ofício à ministra Esther Dweck alertando para riscos operacionais e institucionais decorrentes da escassez de pessoal e de orçamento.
“A insuficiência de provimento das carreiras transversais solicitadas pode implicar riscos à implementação tempestiva da política pública”, afirmou o ministro no documento.
O texto destaca ainda impactos diretos sobre metas de combate à pobreza energética e de redução das desigualdades sociais, compromissos considerados centrais pelo governo Lula.
Déficit de 158 profissionais e pedido emergencial reduzido
Na área de pessoal, o Ministério de Minas e Energia calcula um déficit de pelo menos 158 profissionais. Ainda assim, o pedido emergencial encaminhado ao governo federal foi enxugado para 75 vagas consideradas prioritárias.
Áreas estratégicas sob a mesma pressão
Além do programa voltado ao gás de cozinha, a pasta é responsável por setores vitais para a economia nacional: petróleo, energia elétrica, biocombustíveis, mineração e abastecimento energético. Sob sua supervisão também estão órgãos estratégicos como a Pré-Sal Petróleo, a Empresa de Pesquisa Energética, o Serviço Geológico do Brasil e a Nuclebrás.
O quadro evidencia que a crise orçamentária não afeta apenas um programa social isolado, mas compromete a capacidade de gestão de toda a estrutura do ministério.