Relator da CPMI celebra primeira colaboração premiada e pressiona por revelação de políticos e do filho de Lula nos roubos bilionários a aposentados
A assinatura do acordo de colaboração premiada de Maurício Camisotti com a Polícia Federal agitou Brasília na noite de quarta-feira (9). Considerado o maior operador do esquema de fraudes no INSS, Camisotti é o primeiro investigado a fechar delação no caso que envolve desvios estimados entre R$ 7 bilhões e R$ 10,5 bilhões, segundo dados apurados pela CPMI do INSS, no período de 2015 a 2025.
Alfredo Gaspar exige nomes de políticos e autoridades
Em vídeo publicado na mesma noite, o relator da CPMI do INSS, deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), não escondeu a expectativa de que a colaboração premiada de Camisotti comprometa integrantes da cúpula do poder em Brasília. O parlamentar alagoano fez cobranças diretas.
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“Hoje, Brasília não dorme! Maurício Camisotti assinou o acordo de colaboração premiada com a PF. A fraude do INSS envolveu bilhões de reais roubados de aposentados e pensionistas. A colaboração premiada dele tem que citar o nome de políticos e autoridades envolvidas. Não se pode mais colocar sujeira de do tapete. […] que diga toda a verdade e aponte todas as autoridades, sem exceções, que participaram desse roubo monstruoso contra quem mais precisava de apoio do Estado”, cobrou Alfredo Gaspar, ao lembrar que pediu a prisão de Camisotti na CPMI do INSS.
Careca do INSS e a conexão com Lulinha
Alfredo Gaspar também direcionou sua atenção a outro preso no caso: Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado como um dos maiores líderes do esquema. Para o relator, a iniciativa de Camisotti deveria inspirar uma nova delação, desta vez envolvendo Careca e suas supostas ligações com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula (PT).
“Que venham outras colaborações, como a do careca do INSS, que repassou o dinheiro vantagens para Lulinha, filho do presidente da República. Lula, nós não podemos tolerar mais impunidade”, concluiu Alfredo.
Indiciamento e acusações contra o filho de Lula
O relatório elaborado por Alfredo Gaspar para a CPMI orientava o Senado a solicitar a prisão de Lulinha. As acusações incluem indícios de crimes de organização criminosa, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e tráfico de influência.
Defesa de Lulinha aponta motivação eleitoral
O advogado de Lulinha, Marco Aurélio Carvalho, reagiu ao indiciamento do filho do presidente. Segundo ele, a medida revela um “caráter eleitoral da atuação” do relator Alfredo, que estaria agindo contra a reeleição do petista e em favor da candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Palácio do Planalto.
Dimensão do esquema e próximos passos
A CPMI do INSS apurou que a roubalheira envolveu 47 entidades associativas e sindicatos, acusados de lesar cerca de 10 milhões de aposentados e pensionistas ao longo de uma década. Os desvios bilionários atingiram justamente quem mais dependia do amparo estatal.
A colaboração premiada de Camisotti, com a oferta de novas provas e a identificação de envolvidos, foi considerada válida pela Polícia Federal. O material já foi encaminhado para análise do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF).