Entidade ligada a irmão de Lula figura entre as que mais recolheram valores de aposentados
O relatório final da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS revelou que o Sindicato Nacional dos Aposentados e Pensionistas da Força Sindical acumulou R$ 599,5 milhões em descontos aplicados a aposentados ao longo de uma década. O volume coloca a entidade como a terceira que mais arrecadou nesse tipo de operação no período analisado.
Entre os dirigentes do sindicato está José Ferreira da Silva, conhecido como Frei Chico e irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Apesar de ser citado no documento, ele não foi incluído na lista de indiciados.
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Maior parte dos valores foi registrada nos últimos anos
De acordo com o levantamento, mais da metade do total — equivalente a 56% — foi descontada já durante o atual governo. Entre 2023 e 2025, o Sindnapi arrecadou R$ 339,5 milhões, indicando um crescimento expressivo na captação de recursos nesse intervalo.
O relatório, elaborado pelo deputado Alfredo Gaspar, detalha a dimensão da atuação da entidade: “efetuou 26.462.669 descontos no período de 01/2015 a 03/2025, arrecadando um total de R$ 599.520.490,37 em descontos (…). Com isso, foi a terceira entidade que mais arrecadou”.
Dirigentes indiciados e bloqueio judicial
Embora Frei Chico não tenha sido indiciado, outros integrantes da cúpula do sindicato foram responsabilizados. Entre eles, o presidente Milton Baptista de Souza e a ex-coordenadora jurídica Tonia Inocentini Galleti.
Além disso, a Justiça Federal determinou o bloqueio de até meio bilhão de reais em recursos da entidade, conforme apontado no material analisado pela comissão.
Acordos com o INSS e autoridades investigadas
O documento também resgata o histórico de relação entre o sindicato e o Instituto Nacional do Seguro Social. O primeiro acordo de cooperação técnica foi firmado em outubro de 2008, durante o primeiro mandato de Lula. Posteriormente, houve renovações em 2013 e em 2023.
Na época dessas tratativas, ocupavam cargos-chave nomes como André Fidelis (diretor de benefícios), Carlos Lupi (ministro da Previdência) e Alessandro Stefanutto (presidente do INSS). Atualmente, todos são investigados no caso que ficou conhecido como “farra do INSS”.
Indícios de fraude em autorizações de descontos
Outro ponto destacado pela CPMI envolve suspeitas de irregularidades nos termos de adesão de aposentados ao sindicato. O relatório menciona uma investigação conduzida pela Controladoria-Geral da União sobre um caso em Salvador (BA).
Segundo o documento, um termo de adesão datado de maio de 2023 teria sido, na verdade, criado apenas em junho de 2024, conforme indicam os metadados do arquivo. A produção do documento teria sido feita por uma ex-funcionária do Sindnapi.
O relatório conclui: “Evidencia-se, portanto, a fraude na autorização desses descontos analisados, posto que os documentos foram criados apenas para atender à demanda do INSS, sendo falsificados e literalmente fabricados por pessoa formalmente empregada do Sindnapi.”
Omissão de vínculo familiar também foi apontada
A CPMI ainda aponta que o sindicato teria prestado informação falsa ao INSS ao não declarar o vínculo familiar entre Frei Chico e o presidente da República. Pelas regras dos acordos firmados com o instituto, entidades não podem ter em sua direção parentes de integrantes do poder público.