Relatório sul-coreano aponta mudança de postura de Pyongyang diante de guerra no Oriente Médio
A Coreia do Norte pode estar adotando uma postura mais cautelosa em relação ao Irã, tradicional aliado no cenário internacional. A avaliação consta em um relatório do Serviço Nacional de Inteligência (NIS), da Coreia do Sul, que analisou movimentos recentes do regime norte-coreano.
Segundo o documento, comentado pelo deputado Park Sun-won em coletiva realizada na segunda-feira (6), o governo de Kim Jong-un não forneceu, até o momento, armas ou qualquer tipo de apoio material ao país persa no contexto do conflito envolvendo Estados Unidos e Israel.
Receba no WhatsApp as principais notícias do dia em primeira mão
Ausência de gestos diplomáticos chama atenção
Outro fator destacado por autoridades sul-coreanas reforça a percepção de distanciamento. Pyongyang não enviou condolências após a morte do líder supremo iraniano Ali Khamenei, ocorrida no início do conflito.
Além disso, o sucessor Motjaba Khamenei também não recebeu qualquer mensagem de congratulação por parte do regime norte-coreano — algo incomum em relações diplomáticas entre aliados.
Estratégia pode mirar reposicionamento internacional
De acordo com a leitura feita em Seul, essa postura mais discreta pode indicar uma tentativa da Coreia do Norte de abrir espaço para novas articulações diplomáticas.
A movimentação ocorre às vésperas de um possível encontro entre o presidente da China, Xi Jinping, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, previsto para os dias 14 e 15 do próximo mês, em Pequim.
A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, também informou que há planos para uma visita oficial de Xi a Washington, onde ele deverá se reunir com Trump e a primeira-dama Melania Trump, embora ainda sem data confirmada.
Pressões econômicas influenciam cenário
O relatório do NIS também aponta que a Coreia do Norte enfrenta dificuldades econômicas agravadas pelo contexto de guerra no Oriente Médio. Entre os impactos estão a escassez de insumos industriais, aumento de preços e pressão sobre a taxa de câmbio.
Esse cenário pode estar influenciando decisões estratégicas do regime, inclusive no campo diplomático.
Avanços no programa militar continuam
Apesar das dificuldades econômicas, Pyongyang segue investindo fortemente em seu programa militar. Em março, o país realizou testes com um novo motor de míssil balístico intercontinental, acompanhado por Kim Jong-un.
Segundo a agência estatal KCNA, o equipamento atingiu empuxo máximo de 2.500 quilotoneladas, superando testes anteriores que haviam alcançado cerca de 1.971 quilotoneladas.
O desenvolvimento integra um plano de cinco anos que busca ampliar significativamente a capacidade militar norte-coreana. Entre as prioridades estão mísseis intercontinentais lançados de terra e submarinos, além de sistemas de ataque não tripulados com uso de inteligência artificial.
Discurso oficial reforça foco em dissuasão
De acordo com a mídia estatal, o objetivo do regime é fortalecer seu arsenal para “conter inimigos”, citando diretamente Estados Unidos e Coreia do Sul.
Em fevereiro, Kim Jong-un acompanhou a apresentação de um lançador múltiplo de foguetes com calibre de 600 milímetros e alcance de aproximadamente 400 quilômetros, capaz de transportar ogivas nucleares.
Durante discurso, o líder classificou o armamento como “única no mundo”, destacando seu potencial para intimidação e uso em “missões estratégicas”.
Sucessão política volta ao radar
O relatório do NIS também aborda o cenário interno do regime. A filha de Kim Jong-un, Kim Ju Ae, tem sido apontada como possível sucessora.
A análise considera o aumento das aparições públicas da jovem, de cerca de 13 anos, especialmente em eventos ligados ao programa militar e nuclear.
Na mais recente agenda, em 3 de abril, Kim Jong-un foi visto ao lado da filha durante visitas a um pet shop, uma loja de instrumentos musicais e um centro automotivo, reforçando sua presença em compromissos oficiais.