Levantamento aponta diferença significativa entre pagamentos por serviços de compliance
Um contrato firmado entre o Banco Master e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, colocou em evidência os valores pagos por serviços de compliance no setor financeiro.
Segundo levantamento divulgado pelo jornal O Estado de S. Paulo, o contrato totalizou R$ 129 milhões e apresenta discrepâncias relevantes quando comparado a valores praticados por outros profissionais em atividades semelhantes.
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Estrutura do contrato e escopo dos serviços
De acordo com informações do escritório Barci de Moraes Advogados, uma equipe composta por 15 profissionais foi responsável por desenvolver, revisar e implementar políticas internas do banco.
Entre as atividades realizadas estão:
- Criação de um novo código de ética
- Revisão de políticas de compliance já existentes
- Estruturação de normas internas
O trabalho teria envolvido tanto a elaboração de novos documentos quanto ajustes em materiais previamente desenvolvidos.
Diferença de valores chama atenção
Profissionais ouvidos pelo jornal relataram ter executado serviços comparáveis por valores muito inferiores. Um dos relatos aponta pagamento de R$ 200 mil pela elaboração de duas políticas de compliance — uma delas posteriormente revisada pela equipe vinculada ao escritório de Viviane.
Com base nesses dados, a reportagem indica que os valores pagos no contrato do Banco Master chegaram a ser até 645 vezes maiores do que os praticados em outros casos semelhantes.
Produção compartilhada de documentos
A análise de documentos também sugere que parte das políticas incluídas no escopo do contrato teria sido produzida por funcionários do próprio banco ou por outros escritórios de advocacia.
Há registros de elaboração desses materiais durante o período em que o escritório de Viviane já prestava serviços à instituição.
Pagamentos mensais e duração do acordo
O contrato esteve em vigor entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, com pagamentos mensais próximos de R$ 3,6 milhões.
Ao longo desse período, os repasses somaram mais de R$ 75 milhões. O valor total previsto não foi integralmente pago devido à liquidação do banco pelo Banco Central do Brasil.
Avaliação de especialistas
Especialistas consultados indicam que os valores pagos estariam acima dos padrões de mercado para serviços de compliance, mesmo considerando a complexidade exigida no setor bancário.
Estimativas apontam que projetos semelhantes poderiam custar apenas uma fração do montante contratado.
Caso amplia debate sobre transparência e governança
O episódio reacende discussões sobre critérios de contratação, transparência e governança em instituições financeiras, especialmente quando envolvem cifras elevadas e serviços técnicos especializados.
A comparação com outros contratos do mercado reforça o debate sobre parâmetros de precificação e controle em atividades ligadas à conformidade regulatória.