Gladson Camelí é condenado a 25 anos de prisão pelo STJ por corrupção e organização criminosa
A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) impôs ao ex-governador do Acre Gladson Camelí uma pena de 25 anos e nove meses de prisão. O julgamento, ocorrido nesta quarta-feira, 6, acolheu denúncia do Ministério Público Federal (MPF) que atribuiu a Camelí os crimes de organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, lavagem de dinheiro e fraude em licitações.
Esquema de desvio de recursos durante a gestão estadual
Conforme a acusação do MPF, Camelí integrava uma organização voltada ao desvio de recursos públicos por meio de contratos irregulares celebrados enquanto chefiava o governo acriano. O grupo atuava na manipulação de processos licitatórios, no pagamento de vantagens indevidas e no uso da máquina estatal para favorecer aliados políticos e empresariais. A denúncia apontou, ainda, a existência de mecanismos criados para ocultar os valores obtidos de forma ilegal.
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Trajetória política e renúncia ao governo
Gladson Camelí esteve à frente do governo do Acre entre 2019 e 2 de abril de 2026. Nessa data, renunciou ao cargo com o objetivo de disputar uma vaga no Senado Federal. Com sua saída, a vice-governadora Mailza Assis passou a comandar o Executivo estadual.
Discussão sobre a legalidade das provas
Ao longo da tramitação processual, o Supremo Tribunal Federal (STF) chegou a reunir maioria para invalidar parte das provas que sustentavam a investigação. A defesa de Camelí havia questionado medidas investigatórias adotadas sem autorização prévia do STJ. Apesar disso, os ministros da Corte Especial consideraram que o conjunto probatório remanescente bastava para fundamentar a condenação.
Defesa promete recurso e alega cerceamento
Os advogados Pedro Ivo Velloso e Francisco Agosti, responsáveis pela defesa do ex-governador, divulgaram nota em que anunciam recurso contra a decisão. Segundo o comunicado, o STJ desconsiderou o entendimento do STF a respeito da origem da investigação.
“A defesa do ex-governador Gladson Cameli informa que irá recorrer da decisão do Superior Tribunal de Justiça, uma vez que não foi observada decisão do Supremo Tribunal Federal que declarou a ilegalidade da origem da investigação”, diz o informe.
Os advogados afirmaram, ainda, que o julgamento ocorreu “sem que a defesa tivesse a oportunidade de se manifestar e exercer plenamente o contraditório”. Declararam também ter “plena convicção de que a decisão do STJ será anulada e a inocência de Gladson Cameli será prontamente declarada”.
Nota pública de Gladson Camelí
O próprio Gladson Camelí reagiu à sentença com uma nota pública. Leia a íntegra:
“Recebi com serenidade e absoluto respeito o resultado da votação realizada na tarde desta quarta-feira, dia 6, no Superior Tribunal de Justiça.”
“Compreendo o rito jurídico da Corte e é com base nesse respeito que, no exercício democrático do direito, recorrerei da decisão à instância superior — o Supremo Tribunal Federal —, prerrogativa que me é assegurada pela legislação brasileira em vigor.”
“Ressalto que essa etapa no STJ não altera de forma alguma, a minha confiança no resultado final da Justiça, apenas renova a minha disposição em representar os acreanos.”