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Comando Vermelho assume controle de garimpo ilegal em terra indígena no Mato Grosso, aponta Polícia Federal

Comando Vermelho domina extração ilegal de ouro na Terra Indígena Sararé em Mato Grosso e usa o metal para financiar tráfico de drogas e armas

Facção utilizava ouro extraído clandestinamente para financiar tráfico de drogas e comprar armamentos, segundo investigações

Uma força-tarefa coordenada pela Casa Civil e composta por diversos órgãos federais está em ação desde março para desmantelar a exploração clandestina de ouro e a presença do organizado na , localizada no oeste de . A operação já resultou na prisão de 72 pessoas e em apreensões significativas.

Domínio da facção sobre o Garimpo Cururu

Investigações conduzidas pela Polícia Federal (PF) apontam que o Comando Vermelho (CV) tomou o controle do Garimpo Cururu, considerado um dos principais polos de extração ilegal de ouro na região. A presença da facção no território teve início em 2023, quando membros do grupo começaram a oferecer proteção armada a garimpeiros que já operavam no local.

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Entre no grupo

Ao longo do tempo, porém, a atuação do CV evoluiu. O grupo criminoso deixou de ser mero prestador de segurança e passou a administrar diretamente áreas de mineração clandestina. O ouro obtido nessa atividade servia como moeda para sustentar outras frentes criminosas.

Ouro como moeda de troca para o tráfico

O delegado da Polícia Federal responsável pelo caso detalhou o esquema. “Eles utilizam ouro como moeda de troca, para encaminhar o ouro a países vizinhos e receber de volta um entorpecente ou armamento”, explicou o investigador. Dessa forma, a extração ilegal alimentava tanto o quanto a aquisição de armas pela facção.

Estrutura de vilarejo dentro da terra indígena

A Terra Indígena Sararé, demarcada em 1985, pertence ao povo nambiquara. O território ocupa aproximadamente 67 mil hectares, distribuídos por três municípios. Levantamentos da operação identificaram 1.117 pontos de na área. Até poucos meses antes do início das ações, mais de 2 mil pessoas atuavam na extração clandestina de ouro.

A escala da ocupação era tamanha que uma das áreas invadidas ficou conhecida como “vila”. O coordenador da operação pela Casa Civil, Nilton Tubino, descreveu a estrutura encontrada. “Aqui a gente tinha bar, tinha comércio, tinha farmácia. Você tinha toda uma estrutura de um vilarejo”, afirmou.

Intimidação e danos ambientais

Imagens reunidas pelos investigadores registram tentativas de intimidação por parte dos criminosos contra as equipes de fiscalização. O programa Fantástico, da TV Globo, acompanhou as operações em campo e exibiu cenas do interior do território dominado por garimpeiros e traficantes.

Além das consequências ligadas à segurança pública, a exploração ilegal provoca sérios danos ambientais à região, comprometendo o ecossistema da terra indígena e afetando diretamente a comunidade nambiquara.

Resultados da força-tarefa

A operação, em curso desde março, já prendeu 72 pessoas e realizou apreensões expressivas. A ação conjunta de órgãos federais sob coordenação da Casa Civil visa não apenas reprimir o garimpo ilegal, mas também desarticular a estrutura logística e financeira do Comando Vermelho na região.


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