Política

Com medo de derrota, governo recua e tira da pauta votação da PEC da escala 6×1

Base governista desistiu de votar no Senado a PEC que acaba com a escala 6x1 após avaliar risco de não atingir quórum necessário

Falta de quórum levou a base governista a desistir de submeter a proposta ao plenário

A proposta que põe fim à escala 6×1 não foi votada no plenário do nesta quarta-feira, 2 de setembro. A base aliada do decidiu retirar a matéria da pauta após constatar que o esvaziamento da Casa poderia inviabilizar a aprovação do texto, que exige pelo menos 49 votos favoráveis.

Oposição esvaziou o plenário de forma articulada, diz Randolfe

O líder do governo no , (PT-AP), explicou que a base estimava reunir entre 53 e 54 senadores favoráveis à PEC. Apesar da maioria projetada, ele considerou que a margem era insuficiente diante das ausências registradas.

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“Hoje, houve um movimento bem-sucedido da oposição”, disse Randolfe. O senador responsabilizou uma “ação coordenada” de parlamentares contrários ao governo, citando os senadores Flávio (PL-RJ) e Rogério Marinho (PL-RN) como articuladores do esvaziamento. “A oposição ao nosso governo é contra o fim da escala 6×1, ponto.”

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), consultou os governistas sobre a viabilidade de atingir os 49 votos necessários. Diante da resposta negativa, optou-se por não submeter a proposta à votação.

CCJ havia aprovado a PEC mais cedo

Horas antes da decisão de retirada da pauta, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) havia aprovado a PEC nº 221/2019 de forma simbólica. Dos 27 senadores presentes na comissão, quatro votaram contra: Hamilton Mourão (Republicanos-RS), Tereza Cristina (PP-MS), Jaime Bagattoli (PL-RO) e Marinho.

A CCJ também autorizou um calendário especial que suprimiu intervalos regimentais, abrindo caminho para que a matéria chegasse ao plenário ainda naquela semana. Para ser aprovada no Senado, a PEC precisa obter ao menos 49 votos em dois turnos de votação.

O que prevê a PEC do fim da escala 6×1

O texto da proposta estabelece dois dias de descanso remunerado por semana, sem qualquer redução salarial. A jornada máxima semanal seria reduzida de 44 para 40 horas, com um período de transição de 14 meses para a adaptação das empresas.

Votação ficou para depois do primeiro turno das eleições

Com a retirada da pauta, a expectativa é de que a votação ocorra somente após o primeiro turno das eleições. O próximo esforço concentrado do Congresso está marcado para a segunda semana de outubro.

Proposta alternativa de Rogério Marinho

Rogério Marinho, contrário à PEC aprovada na CCJ, apresentou uma proposta alternativa que preserva a escala 6×1 e o limite de 44 horas semanais. O texto de Marinho permite que diferentes formatos de jornada sejam definidos por negociação direta entre trabalhadores e empregadores, com remuneração proporcional às horas trabalhadas.

Flávio Bolsonaro, que é membro da CCJ, não participou da votação da PEC no colegiado.


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