Justiça

Coaf aponta que cunhado de Vorcaro aplicou R$ 26 milhões em fundo ligado a resort associado a Toffoli

Coaf identifica aplicação de R$ 26 milhões de operador ligado a Vorcaro em fundo relacionado a resort associado a familiares de Toffoli.

Relatório cita movimentações financeiras consideradas incompatíveis com renda declarada do investigado

Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) revelou movimentações financeiras de R$ 26 milhões realizadas por Fabiano Zettel, cunhado e apontado como operador do banqueiro Daniel Vorcaro.

Segundo o documento, os valores foram aplicados no segundo semestre de 2022 no fundo Leal, que controla o Arleen, fundo ligado ao Tayayá Resort, localizado em Rio Claro, no Paraná.

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O empreendimento tem como sócios familiares do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Relação com investigações do Banco Master

As informações sobre a participação do fundo no resort foram reveladas anteriormente pelo jornal Folha de S.Paulo. Segundo a reportagem, o fundo Arleen fazia parte de uma rede de operações investigadas no contexto de supostas envolvendo o Banco Master.

Na época das revelações, Dias Toffoli atuava como relator de um inquérito relacionado a possíveis crimes envolvendo o banco.

Decisões tomadas durante o processo geraram questionamentos entre servidores envolvidos nas investigações.

Ministro deixou relatoria após revelações

Depois que veio à tona a participação de familiares no empreendimento, Toffoli deixou a relatoria do caso.

A investigação passou então para o ministro .

O ministro não havia informado anteriormente sua ligação com a empresa responsável pelo resort.

Empresa ligada a Toffoli entrou no empreendimento em 2021

De acordo com os documentos analisados, a empresa Maridt, da qual Toffoli é sócio, foi criada em 2020.

Em setembro de 2021, a empresa passou a integrar a sociedade responsável pelo Tayayá Resort.

Já o fundo ligado a Fabiano Zettel tornou-se sócio do empreendimento no ano seguinte.

Movimentações chamaram atenção do Coaf

O relatório do Coaf aponta que Zettel movimentou R$ 99,4 milhões no período analisado.

Segundo o órgão:

  • R$ 50 milhões foram registrados como créditos;
  • R$ 49,4 milhões apareceram como débitos;
  • cerca de 53% das movimentações foram destinadas ao fundo Leal.

O documento afirma que essas movimentações são incompatíveis com a renda declarada pelo investigado.

“O valor das movimentações em conta está incompatível com a capacidade financeira declarada”, afirmou o órgão no relatório.

Segundo o Coaf, a renda mensal declarada de Zettel seria de R$ 66,6 mil.

Suspeita de uso da conta para movimentação de terceiros

A investigação também identificou pagamentos de boletos feitos por Zettel em nome de sua esposa, Natália Vorcaro, tendo Daniel Vorcaro como beneficiário final.

Para os investigadores, a operação não apresentou justificativa clara.

“A conta aparentemente está sendo utilizada para o trânsito de recursos de terceiros”, registrou o relatório.

Essa hipótese já havia sido citada pelo ministro André Mendonça ao determinar a de Zettel na semana anterior.

PF aponta indícios de gestão de pagamentos

Mensagens interceptadas pela do Brasil (PF) indicariam que Fabiano Zettel administrava pagamentos em nome de Daniel Vorcaro.

O relatório também aponta movimentações consideradas atípicas, incluindo:

  • depósitos elevados por meio de cheques
  • transferências entre contas da mesma titularidade
  • pagamentos incomuns a pessoas físicas

Segundo os investigadores, essas operações poderiam ter sido realizadas com o objetivo de dificultar o rastreamento da origem e do destino dos recursos.

A defesa de Fabiano Zettel não comentou o caso.


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