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Coach que venceu câncer morre após ritual de limpeza com toxina de sapo amazônico

Kristian Trend, coach britânico de 40 anos que superou câncer, morreu após ritual de limpeza com kambo, toxina de sapo amazônico

Kristian Trend, de 40 anos, faleceu no Reino Unido após cerimônia com kambo, substância tóxica extraída de rã da América do Sul

Uma tirou a vida do coach de bem-estar , de 40 anos, após ele participar de uma cerimônia de “desintoxicação” com — secreção venenosa de uma rã amazônica. O episódio aconteceu no mês passado, no .

Do câncer agressivo ao mergulho nas terapias alternativas

O britânico havia superado um de Burkitt, forma particularmente agressiva de câncer no sangue. A experiência com a doença o levou a se envolver profundamente com práticas holísticas e espirituais. Segundo sua mãe, Angie, Trend era uma pessoa muito ligada à espiritualidade e mantinha uma rotina intensa de consumo de vitaminas.

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“Ele ia se purificar, foi o que ele me disse”, contou Angie ao jornal “The Telegraph”. “Ele era muito espiritualizado. Tomava muitas vitaminas”, acrescentou ela.

Como funciona o ritual com kambo

A cerimônia tem raízes nas tradições de tribos indígenas da Amazônia. O kambo é uma substância cerosa produzida pela rã-folha-gigante — também conhecida como rã-macaco-gigante —, nativa da América do Sul. Na natureza, essa secreção tóxica serve para afastar predadores.

Quem participa do ritual começa bebendo um litro de água. Em seguida, pequenas queimaduras são criadas na pele com um graveto em brasa. Nos homens, as marcas costumam ser feitas nos braços ou no peito; nas mulheres, nas pernas. A substância venenosa é então aplicada diretamente sobre as feridas abertas.

O processo provoca vômitos e diarreia intensos, que supostamente “limpariam” o organismo. Defensores do método atribuem ao kambo benefícios como maior resistência física, clareza mental aguçada e melhora geral da saúde.

Riscos graves e ausência de comprovação científica

Nenhuma evidência científica sustenta que o kambo traga benefícios reais à saúde. Pelo contrário, a substância já foi associada a uma série de problemas graves: convulsões, insuficiência hepática, ataques cardíacos e morte. A toxina do sapo atua como um forte psicodélico, com efeitos comparáveis aos da ayahuasca, podendo desencadear confusão, perda de memória, letargia e psicose.

No caso de Trend, o desfecho foi uma morte súbita cardíaca — um dos riscos fatais já documentados em relação ao uso da substância.

Mãe pede providências após perda do filho

Devastada pela morte do filho, Angie manifestou o desejo de que autoridades tomem medidas para impedir que outras pessoas percam a vida da mesma forma. Ainda assim, reconheceu não ter energia para encabeçar uma campanha:

“Espero que proíbam, mas não tenho forças para lutar por isso.”


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