CIA monitorou Ali Khamenei por meses antes de ofensiva que matou líder iraniano

Relato aponta que CIA monitorou Khamenei por meses antes de ataque que matou líder e autoridades iranianas.
Ali Khamenei Ali Khamenei
Divulgação

Ataque foi antecipado após reunião de autoridades em Teerã; quatro integrantes do alto escalão também morreram

O ataque realizado no sábado (28) no Irã, que culminou na morte do líder supremo Ali Khamenei, foi resultado de meses de planejamento, segundo reportagem do The New York Times.

De acordo com o jornal, a CIA monitorava há meses os deslocamentos de Khamenei. No sábado, a agência teria obtido informação de que autoridades do alto escalão iraniano participariam de uma reunião em um complexo de liderança no centro de Teerã — e que o líder supremo estaria presente.

A inteligência americana também identificou que outras figuras centrais das Forças Armadas e do setor de inteligência estariam no local no mesmo horário. Com base nesses dados, Estados Unidos e Israel teriam decidido antecipar a ofensiva, originalmente prevista para a noite, para aproveitar a concentração de autoridades.

Segundo o relato, Israel executou a ação com caças e munições de longo alcance e alta precisão, atingindo o complexo por volta das 9h40 (horário local). Integrantes do alto escalão de segurança nacional estariam em um dos prédios atingidos, enquanto Khamenei se encontrava em outro edifício nas proximidades.

A e a CIA não comentaram as informações divulgadas pelo jornal.

Cúpula da defesa iraniana entre as vítimas

Além de Khamenei, a agência estatal Fars News Agency informou neste domingo (1º) que outras quatro autoridades morreram na ofensiva. Entre elas estão:

  • Abdolrahim Mousavi, comandante do Estado-Maior das Forças Armadas;
  • Mohammad Pakpour, chefe da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC);
  • Ali Shamkhani, assessor próximo de Khamenei e responsável pelo Conselho Nacional de Defesa;
  • Aziz Nasirzadeh, ministro da Defesa e Logística das Forças Armadas.

Israel também teria mapeado a presença de outros nomes do alto escalão na reunião, como o próprio Aziz Nasirzadeh e o comandante da força aeroespacial da Guarda Revolucionária, Seyyed Majid Mousavi. O texto afirma ainda que, em ataques posteriores, locais onde líderes de inteligência estariam hospedados também foram atingidos.

Outros pontos da capital iraniana sofreram impactos, incluindo o gabinete do presidente Masoud Pezeshkian, que posteriormente divulgou comunicado afirmando estar em segurança.

Reação de Teerã

O governo iraniano declarou na noite de sábado que a morte do líder supremo “jamais ficará impune”. Teerã anunciou 40 dias de luto oficial e sete dias de feriado nacional, além de prometer vingança contra os responsáveis.

Como resposta, o Irã lançou ataques contra bases militares americanas no Oriente Médio em pelo menos seis países e também contra Israel, que declarou estado de emergência diante do risco de novas ofensivas.

Planejamento e inteligência

Fontes ouvidas pelo The New York Times afirmaram que a operação foi fruto de meses de preparação e de um trabalho detalhado de inteligência sobre a liderança iraniana.

O jornal relata que, durante a guerra de 12 dias ocorrida no ano passado, os Estados Unidos teriam reunido mais informações sobre a forma como Khamenei e a Guarda Revolucionária se comunicavam e se deslocavam em momentos de pressão.

Em junho do ano passado, o presidente Donald declarou que os EUA sabiam onde Khamenei estava escondido e que poderiam tê-lo matado. Um ex-funcionário do governo americano afirmou que essa informação se baseava na mesma rede de inteligência utilizada agora e que a capacidade de monitoramento foi ampliada desde então.


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