Política

Centrão vê PF contra Ciro Nogueira como vingança de André Mendonça

Aliados de Ciro Nogueira no centrão associam operação da PF a possível retaliação de André Mendonça pela rejeição de Jorge Messias no Senado

Centrão interpreta operação da PF contra Ciro Nogueira como ‘retaliação’ de André Mendonça

A quinta fase da Operação Compliance Zero, que mira um esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo o , alcançou o senador (PP-PI) nesta quinta-feira, 7. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos contra o parlamentar por determinação do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF).

Suspeitas de repasses milionários e viagens de luxo

De acordo com a Polícia Federal, existem indícios de que Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, custeou viagens internacionais de luxo para Ciro Nogueira e realizou repasses mensais que chegavam a R$ 500 mil ao senador. A contrapartida seria a apresentação de que atendiam a interesses da instituição financeira no Congresso.

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Timing da operação alimenta leitura de vingança política

Senadores do centrão ouvidos pela reportagem da Oeste passaram a enxergar na ação policial um ato de do ministro André Mendonça. O pano de fundo seria a rejeição, pelo Senado, do nome do advogado-geral da União, , para uma vaga na Corte. Dentro do STF, Mendonça era tido como um dos principais apoiadores da indicação do AGU.

O que reforça essa leitura entre interlocutores de Ciro Nogueira é a cronologia dos fatos. O pedido da PF foi apresentado em 10 de abril — portanto, antes da votação sobre a indicação do AGU. Entretanto, tanto a decisão de André Mendonça quanto a deflagração da operação só ocorreram depois que o nome de Jorge Messias foi rejeitado pelos senadores.

Ciro teria influenciado na derrota de Messias

Parlamentares próximos ao senador disseram à Oeste que a operação tem relação direta com a influência atribuída a Ciro Nogueira na derrota do indicado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Embora o governo tenha recebido apoio público do senador ao chefe da AGU em abril, a expectativa era de que aliados de Ciro ajudassem a assegurar votos favoráveis no plenário — o que não se concretizou.

Nos bastidores, a base governista segue desconfiando de que o próprio senador não tenha votado a favor de Jorge Messias.

Apesar da avaliação de que a ação teria motivação política, lideranças do bloco do centrão adotam postura cautelosa. Líder do Progressistas — partido de Ciro Nogueira —, a senadora Tereza Cristina declarou nesta quinta-feira que é preciso “garantir o direito à ampla defesa e evitar julgamentos antes da conclusão das investigações”.


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