Novas provas da Polícia Federal levantam temores entre ministros e ampliam o alcance político do inquérito
O aprofundamento das investigações do chamado Caso Master começou a gerar apreensão entre integrantes do Supremo Tribunal Federal. Nos bastidores da Corte, cresce a avaliação de que o inquérito pode alcançar personagens com trânsito institucional e até repercutir internamente no tribunal.
O sinal de alerta ganhou força após a Polícia Federal reunir novos elementos considerados sensíveis pelos investigadores. As informações, segundo apuração do colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, indicam movimentações financeiras classificadas como arriscadas e relações envolvendo figuras com poder de influência.
Mensagem apreendida eleva grau de sensibilidade do inquérito
Entre os materiais analisados pela PF está uma mensagem de celular atribuída a Daniel Vorcaro, na qual o pastor Fabiano Zettel, apontado como seu principal operador em transações atípicas, solicita a liberação imediata de pagamentos.
No texto, Zettel justifica a urgência afirmando estar sob pressão de uma “autoridade da República”. Para investigadores, o conteúdo da mensagem é tratado como altamente delicado e com potencial de gerar forte impacto institucional, dependendo dos desdobramentos da apuração.
Nova frente mira empresa envolvida em negociação do banco
Paralelamente, a Polícia Federal instaurou um inquérito específico para investigar a atuação da empresa Fictor. A companhia chamou a atenção das autoridades ao anunciar, em novembro, uma proposta fora do padrão para adquirir o Banco Master por R$ 3 bilhões.
A operação, no entanto, teve um desfecho inesperado: apenas dois meses após a oferta, a própria empresa entrou com pedido de recuperação judicial, levantando suspeitas sobre a consistência financeira e a real intenção por trás da negociação.
Ligações com o PCC e uso de maquininhas entram na mira
As apurações mais recentes também identificaram indícios de conexões entre o Caso Master e estruturas ligadas ao Primeiro Comando da Capital. Segundo a PF, parcerias com postos de combustíveis associados à facção teriam sido utilizadas como parte do esquema investigado.
O mecanismo envolvia o uso de maquininhas de cartão de crédito para simular transações de valores elevados, criando movimentações financeiras artificiais. Esse modelo passou a ser analisado como possível instrumento de lavagem de dinheiro e ocultação de recursos.
Com o avanço das investigações e a ampliação do número de frentes abertas, o Caso Master deixa de ser apenas um escândalo financeiro e passa a ser visto como um potencial problema político e institucional, com capacidade de gerar reflexos diretos no topo do Judiciário.