Presidente e ex-presidente do Banco Central e o dono do BTG Pactual serão ouvidos como testemunhas no inquérito
Três nomes de peso do sistema financeiro brasileiro foram intimados a prestar depoimento à Polícia Federal no âmbito da investigação sobre o Banco Master. São eles o presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, o ex-presidente da mesma instituição, Roberto Campos Neto, e o dono do BTG Pactual, André Esteves. Todos serão ouvidos na condição de testemunhas. A informação foi divulgada pelo jornal O Estado de S. Paulo nesta quarta-feira, 9.
Além dos três, a corporação também determinou um novo depoimento do diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino. As intimações foram assinadas em 3 de agosto, mas os depoimentos ainda não foram realizados. O atraso ocorreu porque os investigadores tinham outros interrogatórios a cumprir dentro do mesmo processo.
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O que a investigação apura
No centro do inquérito está a suspeita de que Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, teria pago propina a Belline Santana e Paulo Sérgio Souza, ex-chefe e ex-chefe-adjunto do Departamento de Supervisão Bancária do BC. Em contrapartida, de acordo com a linha de investigação da PF, os dois teriam repassado informações internas sobre a fiscalização do Master e oferecido uma espécie de assessoria informal ao banqueiro. Os dois negam as acusações.
Ex-diretor citou reuniões com o presidente do BC
A decisão de ouvir Galípolo, Campos Neto, Esteves e Aquino surgiu depois que Souza mencionou esses nomes em seu depoimento aos investigadores. Segundo o relato do ex-diretor, Galípolo teria resistido a comunicar ao Ministério Público Federal suspeitas identificadas durante a tentativa de venda do Master ao Banco Regional de Brasília (BRB). Souza descreveu dois encontros com o presidente do BC.
O primeiro encontro
No primeiro deles, Souza afirmou ter alertado sobre a falta de recolhimento integral do compulsório pelo Master — valor que corresponde à reserva obrigatória que as instituições financeiras mantêm no Banco Central. Diante do problema, haveria duas saídas: liquidar o banco ou buscar uma solução de mercado com o BTG. De acordo com o depoimento, Galípolo teria pedido “um voto de confiança para a solução do BRB”.
O segundo encontro
No fim de junho, em uma segunda reunião, Galípolo teria comunicado que não levaria ao Ministério Público a suspeita de gestão temerária. Segundo Souza, o presidente do BC justificou a decisão apoiado em uma informação interna.
A defesa de Campos Neto afirmou não ter sido intimada e criticou o vazamento das informações.