Mensagens interceptadas no celular de lobista revelam articulações envolvendo cannabis medicinal, kits de dengue e a Anvisa
Mensagens gravadas no celular da lobista Roberta Luchsinger, amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, expõem um plano traçado pelo empresário Antônio Camilo Antunes — o Careca do INSS — para mobilizar o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, como peça-chave de acesso ao governo federal. A informação foi publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, com base em diálogos interceptados pela Polícia Federal (PF).
Em mensagem datada de setembro de 2025, Antunes descreveu o ministro petista como “o cara de mil relacionamentos”. O operador do esquema de desvios na Previdência via em Padilha um caminho para avançar dois projetos específicos: a aprovação de um negócio ligado a cannabis medicinal e a comercialização de kits de dengue junto ao Ministério da Saúde.
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Movimentações na Anvisa e jantares com diretores
Os diálogos captados pela PF vão além da tentativa de lobby com Padilha. Antunes relatou que um sócio “abriu portas na Anvisa” e organizou um jantar com diretores da Agência Nacional de Vigilância Sanitária para dar celeridade a pautas de interesse do grupo.
Relatórios policiais indicam que Roberta Luchsinger esteve em prédios do governo federal mais de 40 vezes, sem que nenhuma dessas visitas constasse nas agendas oficiais de autoridades.
Uso de laranjas e novos inquéritos no STF
Após se tornar alvo de operações policiais, o Careca do INSS passou a colocar terceiros à frente de negociações nas áreas de cannabis, educação financeira e tecnologia. O objetivo, segundo as mensagens, era ocultar sua própria identidade nas tratativas.
A PF utilizou o material apreendido para fundamentar novos inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF) envolvendo Lulinha.
O que dizem os envolvidos
O Ministério da Saúde declarou ao jornal que Alexandre Padilha não recebeu Roberta Luchsinger na pasta após março de 2025 e negou a existência de contratos com as marcas mencionadas nas conversas.
A defesa de Lulinha classificou as investigações como “pesca probatória” e negou qualquer envolvimento do filho do presidente nos esquemas apontados. Já os advogados de Antunes e de Roberta afirmaram que não tiveram acesso ao conteúdo dos celulares apreendidos.