Antônio Carlos Camilo Antunes entregou depoimento escrito à Polícia Civil com versão que contradiz acusações de Edson Claro Medeiros Junior
Uma gravação que nunca veio à tona tornou-se peça central na defesa do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS. Em resposta encaminhada à Polícia Civil, ele sustentou que o ex-funcionário Edson Claro Medeiros Junior afirmou estar registrando a conversa durante o encontro investigado — mas que essa suposta gravação jamais foi apresentada.
“Gravação esta que jamais apareceu, uma vez que desmontaria toda a sua tese acusatória”, escreveu Antunes no documento.
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A disputa por veículos de luxo que originou o embate
De acordo com o relato do empresário, o motivo da reunião realizada em junho de 2025 era objetivo: cobrar a devolução de uma BMW M5 e de um Porsche 911 Carrera GTS. Ambos os automóveis estavam registrados em nome de uma empresa de Antunes.
Edson Claro, porém, teria imposto condições para devolver os veículos. Segundo o Careca do INSS, o ex-funcionário exigiu o pagamento de R$ 2 milhões e a transferência da World Cannabis, empresa do setor de canabidiol com sede em Brasília.
Versões opostas sobre o que aconteceu na reunião
Antunes nega categoricamente ter proferido qualquer ameaça de morte. Ele afirma que apenas reivindicou a devolução dos carros e que o encontro aconteceu na presença de outras pessoas.
A narrativa de Edson Claro à polícia, no entanto, difere de forma significativa. Segundo ele, o empresário teria exigido a entrega de celulares, notebooks e um iPad que supostamente continham informações sensíveis sobre seus negócios.
A frase que motivou a prisão preventiva
Claro relatou que, após uma discussão acalorada, Antunes teria declarado:
“Se você não me entregar os aparelhos e abrir a boca, eu vou meter uma bala na sua cabeça.”
Essa suposta ameaça foi um dos elementos que fundamentaram a decretação da prisão preventiva do empresário.
Na versão apresentada por escrito, Antunes negou ter solicitado qualquer equipamento eletrônico ao ex-funcionário.
Testemunha-chave na Operação Sem Desconto
Desde que a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União deflagraram a Operação Sem Desconto, Edson Claro Medeiros Junior se consolidou como uma das principais testemunhas contra o Careca do INSS.
Em seus depoimentos, Claro afirmou que Antunes teria efetuado pagamentos a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Além disso, atribuiu ao filho do presidente participação na operação da World Cannabis em Portugal. A defesa de Lulinha nega as acusações.