Em vez de desonerar quem produz, governo aposta em mais crédito para quem já está endividado — e chama isso de soberania
Existe um tipo de ajuda que piora a situação do socorrido. O plano Brasil Soberano, que o governo Lula tenta costurar como resposta às tarifas americanas sobre produtos brasileiros, caminha para ser exatamente isso: um pacote que oferece dívida a quem já está na pior.
Os detalhes que vazam do Ministério da Fazenda são desanimadores. O cardápio do governo não vai muito além de linhas de financiamento — ou seja, crédito. Empréstimo. Endividamento. Para empresas que já estão sofrendo com a perda de competitividade nos Estados Unidos, a solução oferecida pelo Planalto é basicamente: pegue dinheiro emprestado e se vire.
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Mas há um detalhe.
A equipe econômica não aposta nessa receita por convicção. Aposta por medo. O temor real é que, com o fim do recesso parlamentar, cresça a pressão por medidas que de fato aliviem o setor produtivo — como desonerações. E desoneração, como se sabe, significa o governo abrir mão de receita. Algo que este governo trata como pecado mortal.
Agora compare: o impacto estimado das tarifas americanas sobre as exportações brasileiras não deve ficar abaixo de US$ 7,2 bilhões. A resposta da ApexBrasil, que ficou encarregada de liderar a diversificação de mercados? Meros R$ 130 milhões. É como tentar apagar um incêndio florestal com um copo d’água.
Mecanismos que poderiam ter algum efeito prático — como dar preferência, nas compras governamentais, a empresas afetadas pelo tarifaço — simplesmente não aparecem nesta segunda edição do plano. A pergunta que ninguém faz é simples: se o governo não está disposto a comprar de quem está quebrando, por que espera que o mercado internacional o faça?
Os detalhes completos do Brasil Soberano 2, incluindo os planos da ApexBrasil e as condições de endividamento via BNDES, só devem ser divulgados em meados de agosto. Até lá, o setor produtivo que aguarde — endividado, desonerado de esperanças e soberanamente abandonado.
O governo que viaja a R$ 5 milhões por dia
Enquanto o setor produtivo espera socorro, o governo Lula encontrou um setor em que não economiza: viagens. Apenas nas duas primeiras semanas de julho, as despesas com deslocamentos de servidores dispararam R$ 154,6 milhões. No acumulado do ano, a conta já beira R$ 1 bilhão — são R$ 998,6 milhões até agora.
Traduzindo: o governo gasta em média R$ 5 milhões por dia com viagens. Diárias representam a maior fatia, com R$ 558,3 milhões. Passagens aéreas consumiram outros R$ 437,6 milhões. E as viagens internacionais custaram R$ 126,8 milhões — 13% do total.
Não é coincidência que um governo generoso consigo mesmo seja tão avarento com quem produz.
Oposição fura recesso e mira decretos sobre redes sociais
No Congresso, a oposição decidiu não esperar o fim do recesso. Parlamentares pediram urgência para barrar os decretos de Lula que miram as big techs e as redes sociais. Se a manobra for aprovada, a tramitação será acelerada — e os decretos presidenciais podem ser derrubados.
A movimentação expõe uma fratura: enquanto o governo tenta regular o debate digital por decreto, o Legislativo reivindica sua prerrogativa constitucional. É o tipo de embate que define se vivemos numa república de poderes equilibrados ou num presidencialismo de impulsos.
Bastidores da direita em ebulição
No campo da direita, o tabuleiro segue em movimento. Michelle Bolsonaro descartou categoricamente ser vice na chapa de Romeu Zema pelo Novo. No Ceará, Ciro Gomes sinalizou apoio a Ronaldo Caiado ou Renan Santos para o Planalto, deixando Flávio Bolsonaro de lado. E o presidente argentino Javier Milei, sem autorização para visitar Jair Bolsonaro, segue agenda pelo Brasil com outros políticos de direita — incluindo encontro com Tarcísio de Freitas em São Paulo.
São muitas peças se movendo. Mas uma coisa já ficou clara: a direita brasileira está longe de ser um bloco monolítico, e 2026 promete ser uma disputa tanto contra o governo quanto dentro da própria oposição.
Enquanto isso, o governo batiza de “soberania” um pacote que oferece dívida, gasta quase R$ 1 bilhão em viagens e tenta regular a internet por decreto. Se isso é soberania, alguém precisa revisar o dicionário.
Mantenham firme não há mal que dure para sempre DEUS no controle.
Mantenham firme não há mal que dure para sempre DEUS no controle. Sei